Fenômeno se acentuou na última década
Estudo divulgado no ano passado pelo Instituto Sangari, que atua na área da educação básica e inclusão social, comprovou o que a população vem sentindo na pele: a migração do crime para cidades do interior. O fenômeno, segundo o Mapa da Violência 2010 - Anatomia dos Homicídios no Brasil, teve início na virada do século e só tem se acentuado diante do envolvimento cada vez maior dos jovens com o tráfico de drogas e com a falta de efetivo da polícia.
O coordenador da pesquisa, sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz, informa que o resultado não significa que os números ou taxas de homicídios no interior são maiores que os dos grandes centros urbanos, mas que o crescimento dos homicídios concentra-se agora em municípios localizados no interior dos estados. Outra constatação do levantamento é que a partir da década de 1980, o aumento das taxas de homicídio entre jovens (15 a 24 anos) saltou de 30 em cada 100 mil, em 1980, para 50,1 em cada 100 mil jovens, em 2007. Os maiores índices concentram-se na faixa de 15 a 24 anos de idade (o pico está entre os 20 e os 21 anos).
O número de mortes anuais por homicídio
no Brasil na década 1997/2007 ultrapassa o número de mortes de países em guerra, como Chechênia (1994-1996), Guatemala (1970-1994) e El Salvador (1980-1992). (S.L.)





