Fenômeno ocorre com maior frequência em locais planos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Lúcio Horta 
O raio é uma forte descarga elétrica que ocorre entre nuvens e o solo. Durante uma tempestade, as cargas negativas (elétrons) da Terra tentam atingir a atmosfera e reagem com as nuvens, carregadas de cargas positivas. Por isso, os raios, em geral, partem do solo para a atmosfera, e não o contrário, como se imagina.
Segundo o professor Manuel Simões, do departamento de Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a incidência maior de raios ocorre nos locais mais planos, como praias ou desertos. Nestes locais, qualquer ponto mais alto - como uma árvore ou mesmo um homem -, pode atrair o fenômeno. São nos pontos mais altos onde se encontram as maiores concentrações de elétrons. Por isso, numa tempestade, a pessoa deve sempre evitar andar em locais muito planos ou perto de árvores.
Manuel Simões diz que não acredita que uma corrente de pescoço - como a que usava o bancário José Carlos Cândido Romero, anteontem, morto depois de atingido por um raio - possa ter atraído o fenômeno. A corrente ficou derretida com o acidente. O que se vê é o efeito e não a causa. A corrente tem resistência à passagem elétrica e pode ficar danificada.
O contrário, salienta o professor, seria se a pessoa estivesse com uma barra de ferro nas mãos e em contato com o chão: neste caso a barra poderia funcionar como um pára-raio.
Manuel Simões acredita também que a região dos lagos do Igapó possa ser uma área de atração de raios. O motivo é a lâmina de água formada pelo lago - que é grande, plana e rodeada de árvores. O professor destaca que essa tese é apenas uma suspeita pessoal e que não está embasada em estudos científicos.


