Fenômeno evangélico multiplica igrejas
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sábado, 14 de maio de 2011
Marian Trigueiros <br>Reportagem Local 
Basta andar por algumas ruas de Londrina para constatar um fenônemo nacional: o aumento vertiginoso das igrejas evangélicas. Dos mais variados nomes e ramificações, variam de enormes templos e salões de pregação até portinhas para culto onde funcionavam antes outros estabelecimentos comerciais. Todas, porém, com a mesma finalidade de exaltar o nome de Jesus. Prova do crescimento são os números oficiais: em dezembro de 2000 havia 141 cadastros de alvarás para instituições dessa natureza no Município; em abril deste ano, o mesmo levantamento contabilizou 217 igrejas evangélicas, ante 70 paróquias católicas.
Estima-se, porém, que o número real seja muito maior do que o oficial, já que muitas instituições funcionam sem alvará ou apenas como espaços de adoração, o não exclui a obrigatoriedade da autorização. De acordo com o Conselho de Pastores de Londrina, a quantidade de igrejas deve ultrapassar a casa de 500 estabelecimentos. Há que se distinguir, entretanto, que o crescimento da população evangélica e proliferação das igrejas é reflexo direto da ascensão do neopentecostalismo - uma das linhas modernas que tem a ''Igreja Universal do Reino Deus'' como maior expoente.
Se de um lado o crescimento coloca a religião em evidência, por outro, sem qualquer entidade que congregue todas as vertentes evangélicas, uma das preocupações é com relação ao despreparo dos que estão à frente dessas igrejas. Até mesmo porque no meio evangélico não há nenhum tipo de ordenação formal obrigatória. ''O reconhecimento, muitas vezes, é medido pelo carisma do líder; quem o consagra são os seguidores, conferindo-lhe uma espécie de poder religioso. Ou os títulos são autodenominados. Não é como no caso do sacerdote que, necessariamente, é credenciado e formado por uma instituição'', diz Wander de Lara Proença, pesquisador e professor de História das Religiões da Faculdade Teológica Sul Americana (FTSA).
Para o diretor executivo da Associação das Igrejas Batistas do Norte do Paraná (Abanopa) e presidente do Conselho de Pastores de Ibiporã, Pastor Marcelo Ciaca, pessoas despreparadas existem em todos os segmentos da sociedade organizada. ''Até certo ponto ficamos felizes em ver hoje um Brasil mais evangélico. Porém, por conta de algumas correntes teológicas, esse crescimento nos parece momentaneamente crescente na sua extensão, mais ainda com pouca profundidade.''
Ainda assim, há as organizações que se preocupam em capacitar missionários para pregação e orientação de fiéis. Durante toda a primeira semana de maio, a entidade Serviço para Evangelização da América Latina (Sepal) realizou um congresso que reuniu mais de 1,7 mil pastores de todas religiões. ''Existem muitas pessoas despreparadas assumindo igrejas. Pelo simples fato de terem algum conhecimento bíblico e potencial de locução, acabam sendo ordenadas como pastores. Mas essas igrejas sofrem uma ruptura breve. Muitas, hoje, percebem a importância da capacitação de seus líderes'', comenta o missionário integrante da Sepal, Luis André Bruneto.


