Feiras temem fim de seus dias
Feiras temem fim de seus dias
Hábito arraigado só para alguns clientes, feiras livres perdem espaço para superm ercados
Ana Clara Garmendia
Especial para a Folha
Marcelo AlmeidaCriseA feirante Luciana Trevisan: Nosso movimento caiu cerca de 50%As feiras livres de Curitiba podem estar com os dias contados, minadas pela concorrência com os grandes supermercados. O principal motivo: os supermercados compram em grandes quantidades - e nos mesmos fornecedores - e conseguem, por isso, oferecer preços mais baixos. O nosso movimento caiu cerca de 50%. Estamos enfrentando uma grande crise, atesta a feirante Luciana Trevisan. O que temos feito são muitas entregas para restaurantes para tentar melhorar um pouco. Mas aqui na banca está muito difícil.
Como hoje a maioria dos feirantes não produz o que vende, a maior dificuldade é competir com os supermercados, na opinião da feirante Sandra Falcalde. Eles compram no mesmo lugar que nós. Só que nós escolhemos a caixa de frutas mais bonita e eles não estão muito preocupados com isso. Para nós o que importa é a qualidade, pois vivemos disto, diz Sandra.
Hábito - O charme das feiras livres não acabou, no entanto, para uma clientela fiel que se apega muito mais ao hábito arraigado de passear entre as barracas, ser cumprimentada pelo nome pelos feirantes e levar para casa verduras frescas. Uma dessas pessoas é dona Rosicler Villatore, que vai à feira há mais de 20 anos. Sem se importar com o preço mais atraente dos supermercados, dona Rosicler, como outros consumidores que ainda frequentam as feiras - a maioria donas de casa e aposentados -, está em busca de qualidade, tranquilidade e, por que não, o convívio com os feirantes.
É o caso de Anita Marco de Oliveira, que há mais de 30 anos faz compras na mesma feira. É por isso que a dona de uma das bancas já guarda para ela os melhores cachos de banana. Aqui é tudo tão fresco. Gosto muito da feira e não troco nunca por um supermercado moderno. Todo mundo me conhece, até pelo nome, diz Anita. E emenda: Sempre virei aqui, enquanto as minhas pernas permitirem.
Criatividade - Os feirantes, alguns remontando ao tempo em que se levava as frutas e verduras à feira de carroça, estão desanimados com a queda nas vendas, mas driblam a crise com criatividade. Maria Cacilda de Ávila Faria, dona de uma banca há mais de 20 anos, manda entregar as compras na casa dos clientes. Além disso, faço estas embalagens práticas de legumes já limpos e empacotados. Assim facilito a vida de quem não tem tempo e não perco os meus clientes.
Mesmo registrando uma queda de movimento na casa dos 80%, o casal de produtores Sofia e Pedro Pathecki não desiste da banca. Há mais 37 anos produzindo o que vendem, eles agora dizem trabalhar por amor.
Nós não temos alternativas para competir com os supermercados. Somos do tempo em que se vinha para a feira de carroça. Então agora estamos aqui pelo simples prazer de estar aqui.





