Feiras pequenas tentam se manter
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Fernanda Carreira e Vinícius Fonseca <br> <br> Reportagem Local 
Tradicionais em Londrina, as feiras costumam atrair centenas de pessoas ao longo da semana nos mais diversos bairros. São clientes que já se habituaram às compras ao ar livre ou que fazem questão de dar pelo menos uma passadinha para rever os amigos. No entanto, algumas feiras chamam a atenção pelo pequeno número de barracas - quatro, três ou mesmo duas. Nesses locais, os feirantes se esforçam para manter viva a tradição da feira e conquistar mais clientes, mesmo com dificuldades.
É o caso da feira na Rua Graúna, no Conjunto Vitória Régia (zona leste), realizada todas as sexta-feiras há 15 anos. A barraca de seu José Candido da Silva é a única de hortifrutigranjeiros e o movimento é tão pequeno que, logo no início da manhã, quem procura por ele só o encontra na barraca de pastel, ao lado. Isso mesmo, a feira toda só tem duas barracas. A de verduras, frutas e legumes e a de pastel.
Mas nem sempre foi assim. O feirante conta que, no início, eram cerca de 15 barracas. Com a diminuição da freguesia ao longo dos anos, as despesas que muitos feirantes tinham para atravessar a cidade passaram a não compensar e quase todos foram desistindo.
''Eu e o outro feirante acabamos ficando, porque moramos aqui perto e para nós, mesmo não vendendo muito, o que lucramos já é suficiente'', destaca Silva, acrescentando que se houvesse um apoio da CMTU as feiras teriam uma possibilidade maior de se recuperar.''Acho que falta uma estrutura melhor para os clientes. Isso, com certeza, atrairia mais pessoas.''
Rodrigo Gomes da Silva é o funcionário que há mais tempo trabalha na barraca do pastel. Ao todo, são sete anos e, segundo ele, a barraca têm conseguido se manter, porque o pastel sempre chama atenção de quem está passando pela rua na hora do café.
Mesmo pequena, a feira ainda agrada muitos clientes, que têm se mantido fiéis, como é o caso do entregador de peças Anderson Calejon. Todas as sextas-feiras ele faz entregas em uma oficina próxima e acaba levando pastéis para os colegas de trabalho. Já o construtor Amadeu Messias, mesmo morando ao lado de um supermercado grande, faz questão de comprar frutas e legumes na feirinha. ''Eu acho que já se tornou um hábito. Aqui, eu faço as compras ao mesmo tempo que bato um papo com seu José e revejo meus amigos. É só uma pena que ela esteja tão pequena'', diz Messias.
Zona norte
A feira do Residencial Vista Bela (zona norte) começou a ser realizada em fevereiro deste ano, na Rua 19, e em maio foi transferida para a Rua Celeste Couto Moura. ''Mudaram para essa rua por falta de movimento, mas o problema continua. Lembro que eram 15 barracas, mas os feirantes não aguentaram esperar e quem conseguiu alvará para outro lugar foi embora'', relatou a feirante Dayane Ferreira, revelando que caso consiga liberação da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) também pretende deixar o local.
Há 15 anos trabalhando com artesanato em diversas feiras livres, o casal Maria de Fátima e Mario Oliveira Nascimento afirma que nunca tinha frequentado um local com tão pouco movimento. Na opinião deles, faltam consumidores por causa do horário. ''No sábado de manhã muitos moradores estão trabalhando e eles mesmos reclamam que prefere ir às feiras aos domingos'', argumenta ela. Nascimento garante que só continua no Vista Bela porque compensa as baixas vendas com a comercialização em outras feiras.
O casal Jefferson e Mariana Sales concorda. Eles aparecem vez ou outra na feira do Vista Bela, mas em geral procuram outras na região para fazer compras.
Para a responsável pela barraca de pastéis, Magda Chaves, faltou paciência aos outros feirantes. ''Muitos acharam que em poucas semanas haveria movimento; isso não aconteceu e eles foram embora. Talvez se tivessem ficado a feira teria mais movimento hoje'', diz Magda, cuja barraca é que mais atrai fregueses.
A permanência de um grande número de barracas, porém, não foi o suficiente para que a feira do Jardim Imagawa, também na zona norte, atraísse consumidores. Com isso, o número de barracas caiu de oito para quatro em três anos. Fabrício dos Santos, feirante de hortifrutigrangeiros, é um dos que resistem. ''Como estou aqui há muito tempo já tenho uma clientela fiel e eles aparecem aqui quase todo sábado e levam produtos fresquinhos.''
Apesar do cenário pouco animador, há quem não dispense uma boa feira. Moradora do Jardim Imagawa, a costureira Sônia Godoi Moraes é figura conhecida no local. ''Fiz amigos e não abro mão da feira.''


