Feiras livres viram lazer em Londrina
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domingo, 23 de maio de 2004
Fernando Rocha Faro<Br>Reportagem Local 
Para mim, domingo sem feira não é domingo. A opinião da feirante Cleusa Maria Dias de Amorim, 36 anos, resume o sentimento de milhares de profissionais e fregueses que todos os dias, com mais intensidade nos fins de semana, movimentam as tradicionais feiras livres de Londrina. Atualmente, estes espaços superaram o simples comércio econômico de frutas e verduras e tornaram-se verdadeiros pontos de encontro nas manhãs dominicais. Uma infinidade de produtos e opções de alimentação transformaram as feiras em programa obrigatório para algumas famílias.
Na avenida Saul Elkind, a feira movimenta a área dos Cinco Conjuntos, na Zona Norte, todos os fins de semana. Além de opção de lazer, a atividade garante o sustento de dezenas de pessoas. Este é o caso de Cleusa Maria, que comercializa produtos de acordo com a estação do ano. Estou vendendo gorros e luvas, mas trabalho também com roupas, sapatos, cintos, enumera, como quem comemora o tempo frio e chuvoso de ontem que, se por um lado afasta alguns fregueses, por outro é propício para os artigos de inverno da feirante.
Uma característica comum das feiras livres de Londrina atualmente é a diversidade de produtos. Hoje, a feira da Zona Norte é dividida em três setores: produtores, livre (para revendedores) e a informal, ou do Paraguai. A diversidade é enorme. Além dos hortifrutigranjeiros, são comercializados salgados, flores, calçados, roupas novas e usadas, queijos, comida pronta e CDs. Para alguns fregueses, mais do que garantir as compras da semana, a oportunidade serve para o lazer. As barracas de pastéis e salgadinhos fritos na hora estão entre as mais concorridas.
O casal Sebastião Ivo e Cirsa Vieira da Rocha mantém um comércio menos comum para as feiras livres: pizza, lasanha e nhoque prontos para levar. Já chegamos a vender de 35 a 40 lasanhas num só domingo. Hoje, um dia normal não passa de 20, queixou-se Ivo. Para ele, a vantagem da feira é a clientela assídua. O forte são os clientes que já conhecem nossos produtos, confirma.
Apesar de ter a freguesia garantida pelo bom movimento, a vida do feirante é difícil. A rotina sempre tem início cedo, entre 3 e 5 horas da manhã. Após da montagem das barracas, os profissinais têm de enfrentar uma manhã inteira na luta pelos clientes, faça chuva ou sol. Um exemplo é o casal Severino Miranda, 79, e Maria Cândido Bueno Pereira, 72. Para completar a aposentadoria, eles mantêm uma barraca de roupas usadas na feira da Saul Elkind. Enquanto Maria Cândido é a responsável pelo ponto fixo, Miranda empurra um carrinho-de-mão cheio de mandioca. Apesar de tudo, ser feirante ainda compensa, avalia o casal.
Mas não é somente a Zona Norte que conta com a facilidade das feiras semanais. Em Londrina, são 32 por semana. Outro ponto tradicional aos domingos é a a avenida São Paulo, nas proximidades do Cemitério São Pedro.


