Feirantes resistem na Avenida São Paulo
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quinta-feira, 01 de julho de 2010
Micaela Orikasa<br>Reportagem local 
''Frequento esta feira há mais de 30 anos e gostaria que ela permanecesse do jeito que está. Mudar por quê?'' A indagação é de Alva Tonda, de 76 anos, que semanalmente faz compras na feira localizada na Avenida São Paulo, Centro de Londrina.
Inconformada, ela fez questão de abordar a reportagem para expressar sua opinião sobre a ordem de desocupação da via, entre as ruas Espírito Santo e Goiás, justificada pela Companhia Municipal de Urbanização (CMTU) como uma ação para melhorar o fluxo de veículos no local.
O projeto de lei que aguarda a sanção do prefeito Barbosa Neto propõe a migração de 18 feirantes para a Rua Alagoas, ao lado do Cemitério São Pedro. A ação prevê a mudança apenas nas quintas-feiras, já que a feira acontece aos domingos também. Ontem pela manhã a maioria das barracas permaneceu no local, mas foram notificadas pelos fiscais da CMTU.
Segundo o representante dos feirantes, Lourival de Abreu, os comerciantes entregaram abaixo-assinado ao prefeito, na semana passada, com cerca de dois mil nomes. ''Queremos permanecer aqui, como sempre foi. Nossa intenção é apenas trabalhar. Agora, estamos aguardando a decisão'', diz.
Jorge Nishimura, feirante há mais de 15 anos, é um dos que correm o risco de perder o ponto. Segundo ele, a medida prejudica tanto quem compra quanto quem vende. ''Os motoristas já estão acostumados com a feira e só agora eles acham que estamos atrapalhando?''
Sandra Balbino, proprietária de um ateliê de costura que fica no entorno da feira há mais de 12 anos, também defende a permanência. Ela diz que o movimento da feira ajuda a aumentar sua clientela.
O presidente da CMTU, André Nadai, informou que a decisão foi tomada de comum acordo com os feirantes, há mais de 20 dias. ''Hoje (ontem) apenas alguns permaneceram no antigo local e receberam notificação, que pode se transformar em multa. Se reincidirem o valor da multa será dobrado e correm o risco de ter o alvará cassado.'' Segundo ele, a liberação do trecho é necessária para otimizar o fluxo de veículos. (Colaborou Silvana Leão)


