Feirantes inovam e aderem ao cartão de crédito
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quarta-feira, 17 de maio de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba As inovações do capitalismo, de fato, rompem barreiras. E onde o dinheiro ''vivo'' sempre foi possibilidade de barganha e garantia de gastos bem calculados perde espaço para o dinheiro de plástico. Basta dar um passeio nas feiras livres de hortifrutigranjeiros de Curitiba para observar que algumas bancas já estão ostentando banners de cartões de crédito e débito, com a proposta de modernizar o setor, aumentar em 30% o faturamento e ampliar a clientela. Implantado há cinco dias, as maquininhas estão sendo assimiladas, aos poucos, pelos feirantes e consumidores e ainda causam estranhamento num ambiente que, segundo a tradição, cédulas e moedas movimentam o negócio.
Para os comerciantes significa esperança em recuperar clientes que migraram para os supermercados e mercearias justamente em busca dessa compra ''facilitada''. ''Hoje a gente compra tudo com cartão, não pega mais em dinheiro. Acho que vai ajudar bastante'', disse a técnica em eletroencefalograma Lígia Simão, 47 anos, pega de surpresa com a novidade, durante compras na feira da Rua Duque de Caxias, próximo ao Cemitério Municipal. ''Para as pessoas que não têm dinheiro na mão é importante. Para mim representa perigo comprar no cartão porque a gente perde a noção de quanto gasta. E com dinheiro é melhor para negociar'', defendeu Júlia Siqueira, 74 anos.
Dos 400 feirantes cadastrados junto à Secretaria Municipal de Abastecimento, os primeiros a utilizarem as máquinas com sistema GPS de cartões de crédito e débito são aqueles que ficam no Anel Central. A idéia é que nos primeiros meses de experiência sejam repassados os números de transações realizadas com o objetivo de aumentar a adesão entre os comerciantes. ''O processo de modernização vai desde o perfil de atendimento pessoa a pessoa, com a proposta de aumentar o consumo de hortifruti na população à conveniência na hora da compra. Para o feirante fica a segurança do pagamento também'', destacou diretor de Unidades Comerciais da secretaria, Luiz Gusi.
Para o diretor, está se quebrando um paradigma de que nas feiras livres só se compra com dinheiro vivo e que o processo natural é estimular o consumo nesse mercado. ''A operação é bem simples e muitos deles puderam observar isso no treinamento que teve na última sexta-feira. A prefeitura está fazendo a aproximação do feirante com a empresa prestadora de serviço. Se trata de um projeto-piloto para quebrar a resistência inicial. Acreditamos que o número de adesão já aumente no próximo mês'', espera ele.
''A gente aprendeu o manejo do sistema, que é bem simples, e optamos por essa forma de pagamento para ver se aumentam as vendas e atingimos um outro nicho do mercado, que são os consumidores que utilizam dinheiro de plástico. Assim podemos concorrer com os mercados'', disse o feirante Ricardo Miquelussi, 22 anos. Segundo ele, até agora, a média de vendas com cartões ainda é pequena, em torno de sete por dia. ''Estamos divulgando para os clientes e acho que eles estão gostando'', informou Miquelussi.
Já outro feirante, João Trevisan, 38 anos, ainda não aderiu a modernidade. ''Estou aguardando para ver como vai ser o faturamento do pessoal com os cartões. Toda mercadoria na minha banca eu pago à vista e preciso de dinheiro para repor os produtos frescos. Os cartões só pagam com 30 dias as compras feitas no crédito e as que são feitas no débito eu preciso pagar CPMF'', avaliou ele. ''Ainda não me decidi. Talvez com um volume grande de vendas compense vender com cartões'', ponderou Trevisan.


