Feirantes denunciam 'terrorismo' de fiscais
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quinta-feira, 23 de junho de 2005
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Uma comissão de pelo menos 25 feirantes da Área Central de Londrina esteve ontem à tarde na Câmara de Vereadores para reclamar do que chamam de ''terrorismo'' por parte de dois fiscais da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Falando no Plenário, eles relataram a abordagem que teria sido realizada de manhã na feira das ruas Alagoas e Espírito Santo com a avenida São Paulo uma das mais antigas de Londrina, com mais de 40 anos.
Feirante no local há 15 anos, Antonio Santos Mattos falou em nome do grupo e relatou que os dois fiscais exigiram, ''em nome do Ministério Público'', que os comerciantes da área extinguissem até a próxima quinta-feira um quarteirão da São Paulo e um da Espírito Santo. A idéia é que as bancas dali fossem condensadas em um quarteirão da Alagoas, até o semáforo com a avenida Rio de Janeiro.
''Além disso, começaram a medir as bancas e nos disseram que as de 12 metros passariam para 8 metros, e assim por diante. Estão todos revoltados com esse clima de terrorismo, até porque, no alvará que a gente paga, é cobrada a metragem das bancas'', declarou Mattos, conforme o qual a dupla de fiscais ''exigiu aquilo tudo falando que era recomendação do Ministério Público''.
No decorrer da pauta do dia, os vereadores Gláudio Lima, Maria Ângela Santini (ambos do PT) e Roberto Kanashiro (PSDB) aprovaram o requerimento À CMTU em que pedem informações sobre as providências supostamente tomadas pelos fiscais.
O gerente de trânsito e fiscalização da Companhia, Álvaro Grotti Junior, reagiu com irritação ante a atitude dos feirantes. ''O caminho feito por eles deveria ter sido pela avenida JK, e não a rua Parigot de Souza'', ironizou, para emedar em seguida que esperava ter recebido a reclamação antes dos vereadores. Por outro lado, Grotti Junior admitiu que está em andamento um projeto de condensação da feira da Espírito Santo, já que haveria nela uma série de espaços ociosos a serem readequados. ''De tempos em tempos fazemos medições nas feiras livres, e mudar ali a situação significa garantir mais segurança para o feirante, qualidade e fluidez do trânsito e minimização do impacto da feira em frente a condomínios'', enumerou.
Sobre a suposta abordagem ameaçadora de alguns fiscais, o gerente duvidou que ela tenha de fato ocorrido, apesar da leva de reclamações ontem à tarde. ''Estou surpreso com isso, mas com certeza não há pedido algum de MP sobre esse assunto'', definiu. Questionado se a CMTU averiguará a conduta criticada pela comissão, Grotti Junior explicou que isso será feito só se os feirantes reclamarem formalmente do ocorrido. ''Aí sim a presidência abrirá inquérito administrativo'', concluiu.


