O que há em comum entre uma aranha marrom e a extração de álcool da mandioca? Os dois assuntos estão sendo abordados no Festival da Federal, uma iniciativa inédita da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que reúne onze estações temáticas no Centro Politécnico, em Curitiba. São 1.098 estandes nas áreas de Ciência, Tecnologia, Cultura e Profissões, montados em locais estratégicos. As atrações são tantas que os alunos e professores envolvidos na organização do evento usam (e abusam) da criatividade para chamar a atenção dos visitantes.
É o caso do curso de Engenharia Química que resolveu mostrar na prática os processos aprendidos nas salas de aula. ‘‘São fórmulas simples, presentes no cotidiano das pessoas’’, ensina a estudante do 2º ano do curso, Juliana Bortolozo. Os alunos montaram processos em escalas laboratoriais de produção e mostram aos visitantes como, por exemplo, extrair álcool da mandioca. ‘‘O produto final é utilizado em aguardentes. As pessoas se interessam e isso acaba desmistificando o curso’’, diz Juliana.
Com essa abordagem, temas geralmente considerados de difícil assimiliação se tornam facilmente digeríveis até mesmo para quem nunca entrou numa universidade. Alunos da 2º e 3º série do ensino fundamental de escolas da periferia visitaram ontem o festival e aproveitaram para assistir peças teatrais criadas pelos acadêmicos. Para alertar sobre os perigos da aranha marrom, a Estação Saúde preparou um projeto especial, com dramatização e distribuição de folhetos explicativos.
A mesma abordagem foi escolhida pelo curso de mestrado em Genética, que encenou a peça ‘‘Por que não eu?’’. O espetáculo, apresentado em um dos circos montados no evento, aborda de forma didática a variabilidade genética. A professora Maribel Pelando levou os alunos da Escola Municipal Paulo Esmanhoto para o festival e ficou animada com a iniciativa da UFPR.
Os visitantes também podem aproveitar para receber consultas grátis. Os acadêmicos de odontologia montaram um consultório para fazer avaliação e ensinar como prevenir doenças periodontais (gengivas), com capacidade para atender duas mil pessoas.