Feira reúne comércio da insegurança
Luciana Pombo
De Curitiba
Começa hoje a Feira Internacional de Segurança (SulSec 99), no Expotrade de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A feira deverá reunir cerca de 100 expositores do Brasil, Argentina e Estados Unidos, além de representantes nacionais de empresas do Oriente Médio. Os estandes mostrarão novidades nas áreas de segurança contra roubos e incêndios, eletrônica, seguranças do transporte, trabalho, bancária, trânsito e viária.
Segundo o coordenador da feira, Daniel García Reyes, cerca de 6,5 mil profissionais de empresas prestadoras de serviço, indústrias e técnicos deverão visitar o evento durante os três dias da SulSec 99. Todos estarão a procura das novidades que podem garantir a segurança da população, cada vez mais amedrontada com o crescimento da violência no Estado. Este problema fez com que a procura por segurança privada aumentasse 10% nos últimos cinco anos.
Entre as novidades no setor, serão apresentados carros blindados com tecnologia de última geração, equipamentos para escutas telefônicas e contra espionagem industrial, aparelhos para evitar o roubo de informações, câmeras inteligentes e portas giratórias para bancos. Essas portas têm uma particularidade, elas não giram como as tradicionais, os clientes é que giram, contou.
Os organizadores não têm previsão de quanto deverá ser gerado em recursos para as empresas expositoras, mas a expectativa é de que sejam feitos diversos negócios empresariais. Com certeza as sifras serão astronômicas, afirmou ele.
Atualmente, existem no Paraná cerca de 60 empresas de segurança com cerca de 12 mil empregados. Elas atuam principalmente nos setores públicos, industrial e comercial. Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Segurança (Sindesp), Jefferson Simões, a procura por segurança privada aumentou cerca de 10% nos últimos cinco anos por causa do crescimento da violência no Estado. O setor que mais evoluiu foi o da segurança eletrônica, que atende cerca de 8 mil clientes em Curitiba e Região Metropolitana. Deste total, cerca de 30% são zonas residenciais. Hoje os donos de residências estão procurando os nossos serviços com mais regularidade, por causa da falta de segurança nos bairros, afirmou ele.
Os equipamentos mais modernos utilizados pelas empresas são os de monitoramento por imagem, 95% deles importados. A segurança eletrônica se avolumou muito por ter optado por uma integração entre a máquina e o homem, é o que chamamos de sistema de segurança integrado, classificou Simões. O custo, de acordo com ele, é bem menor. Um posto de segurança 24 horas custa cerca de R$ 5,6 mil enquanto um de segurança eletrônica entre R$ 200 a R$ 2,8 mil. O custo baixa por causa da mão-de-obra do local, que cai por causa do trabalho feito com equipamentos de última geração, disse ele.
A segurança eletrônica ainda não atinge as zonas rurais do Estado por causa dos conflitos de terra. De acordo com Simões, as empresas preferem se afastar dos problemas gerados entre fazendeiros e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Sabemos que poderíamos agir nestas áreas para defendermos o direito de propriedade, mas o conflito é social e não de segurança, argumentou.
Desemprego - O presidente da Federação dos Vigilantes do Paraná, João Soares, disse ontem que a vigilância eletrônica é importante, mas colabora para o desemprego no setor. De acordo com ele, as empresas acabam tirando o emprego dos vigilantes em bancos, lojas e empresas especializadas. Geralmente uma empresa tem duas equipes de segurança que atendem entre três a quatro regiões. Muitas vagas acabam sendo suprimidas por causa deste tipo de trabalho, argumentou.
Em 1998, a federação tinha 24 mil vigilantes trabalhando em empresas legalizadas no Paraná. Atualmente, este número caiu para 16 mil, uma redução de 33% nas vagas. A queda no nosso setor foi grande e tende a se agravar ainda mais, disse Soares.
Além do trabalho das empresas de segurança, Soares destacou o trabalho informal de vigilantes como outra causa do desemprego no setor. Atualmente, o piso da categoria é de R$ 473,00.
Quatro eventos paralelos acontecem junto com a SulSec. O Congresso Internacional de Segurança Empresarial, Seminário Sul-brasileiro de Segurança, Saúde e Meio-ambiente, Seminário Paranaense de Segurança, Saúde e Meio Ambiente e dicas de como fazer negócios em segurança empresarial com a Argentina.





