Curitiba - O olhar dos envolvidos em segurança pública, como policiais e vigilantes de empresas particulares, ficam entre o curioso e o maravilhado. Na mira desses olhares estão objetos dignos das idéias mais mirabolantes da ficção. Antes existentes apenas na imaginação, muitos objetos de segurança tornam-se realidade na Feira Internacional de Tecnologia, Serviços e Produtos para a Segurança Pública (Interseg), que começou no domingo e termina hoje em Curitiba.
A feira é destinada a profissionais de segurança pública e reúne empresas que mostram as últimas novidades do setor. Um dos destaques é o Motowicar, apontado como a viatura policial do futuro. Desenvolvido pela Motorola, Rontan e General Motors, o carro é equipado com vários terminais de computadores. Está mais próximo de uma lan house ambulante do que um carro de polícia como é conhecido hoje. Uma série de recursos permite o envio e recebimento de dados durante uma diligência. Isso é possível porque o carro é equipado com notebooks, rádios digitais e computadores de mão. Todos protegidos contra impacto, calor e água. Além disso, os dados são apagados em caso de roubo ou perda de qualquer um desses equipamentos.
''A idéia de um carro desse é simplificar o trabalho do policial. A tecnologia o deixa livre para fazer o que deve fazer'', diz Enzo Moliterno, responsável pelo desenvolvimento de novos negócios da Motorola. Ele lista uma série de benefícios dos equipamentos. ''Com o computador, o policial pode ter acesso na hora aos dados de um supeito. Isso acontece por meio de impressões digitais, nome ou número de documentos'', explica.
O mesmo acontece com carros suspeitos. Por meio de uma câmera instalada junto ao retrovisor, pode-se filmar placas e enviar para um central que analisa a procedência do veículo. Segundo Moliterno, algumas polícias, como a de São Paulo, já têm acesso a estas tecnologias. ''A resposta da polícia é positiva. Muitos dizem que se sentem mais seguros com um aparelho de comunicação que com uma arma.''
A solução para armas de fogos, aliás, são um dos pontos altos da Interseg. Um aparelho de choque dissimulado que imita um celular também chama atenção dos visitantes. A descarga elétrica de 50 mil volts age no sistema nervoso e sensorial. ''Quem leva um choque desse sente muita dor. Além disso há o efeito surpresa'', diz Maik de Paula, instrutor de técnicas policiais. O equipamento custa R$ 120 e pode ser adquirido por qualquer pessoa.
Outra novidade é o Taser, arma que imita uma pistola de fogo mas em vez de munição utiliza dardos que paralisam quem recebe. O Taser age por ondas cerebrais, em uma corrente de 50 mil volts. A arma manda uma mensagem para o cérebro que ''congela'' os movimentos do corpo de quem recebe. O cadete da Polícia Militar (PM) Guilherme Moser recebeu uma carga para demonstração. ''Não dói, mas os músculos travam e a gente fica sem reação. Seria interessante o uso do equipamento nas ruas.''
Charles Saba, instrutor da US Police, confirma que o Teaser é uma solução para o uso diário nas ruas. ''É uma forma de conter a violência. A arma de fogo deve ser de uso excepcional.'' O revólver custa R$ 1,1 mil.

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