Feira interrompe trânsito e irrita moradores
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segunda-feira, 28 de novembro de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Carros transitando na contra-mão, estacionados sobre a faixa amarela, em fila dupla e até no meio da rua. Situação comum nas manhãs de quinta-feira e domingo nos cem metros da rua Espírito Santo, entre as avenidas São Paulo e Rio de Janeiro, no centro da cidade. São os dias em que são realizadas feiras livres, que tomam parte da rua Alagoas e avenida São Paulo.
A desorganização do trânsito incomoda principalmente os moradores dessas ruas. Há cerca de dois meses, o aposentado Isaías Martins de Oliveira, 63 anos, protocolou uma queixa na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), reclamando da colocação de cavaletes que impedem a circulação de veículos no cruzamento da Espírito Santo com a Rio de Janeiro, a uma quadra da feira. ''Eles colocam cavaletes com a inscrição 'trânsito impedido' e que são trazidos por um feirante. Levei isso ao conhecimento da CMTU mas pelo o que eu sei, impedimento de trânsito compete somente a CMTU ou Detran'', justificou. ''Estava voltando da igreja e tive dificuldade em passar (pelo trecho impedido). Era gente abastecendo os carros com as compras, estacionados no meio da rua. Reclamei com o senhor que estava ali e ele chamou alguém que estava comendo pastel para tirar o carro. Eu vi o motorista dar dinheiro para esse senhor, o que caracteriza pedágio ou estacionamento pago. Você não imagina a dificuldade que a gente tem para sair daqui, mesmo em situação de emergência. Não quero sacrificar ninguém mas defender meus direitos'', argumentou.
Segundo Oliveira, os fiscais da CMTU que verificaram a queixa, alegaram que os cavaletes eram colocados para proteção. ''Mas não tem em nenhum outro lugar da feira e por quê eles (feirantes), não tendo autoridade, colocam os cavaletes?'', questionou.
Osvaldo de Campos, 49 anos, que atua no local como ''cuidador de carros'', admitiu para a reportagem que é o responsável pela interdição da rua. ''Eu é que coloco (os cavaletes) porque se não colocar, ônibus de turismo, por exemplo, que não sabem que tem feira, entram na rua e dá um trabalhão para voltar. Eu organizo aqui há 20 anos. Antes algumas pessoas colocavam o carro na passagem, mas agora sempre deixo uma vaga para quem quer passar'', garantiu. Segundo Campos, a instalação dos cavaletes foi acordada entre os feirantes e a CMTU.
O gerente de fiscalização de trânsito da CMTU, Álvaro Grotti Junior, confirmou a autorização para que os feirantes impeçam a circulação de veículos no trecho da Espírito Santo. ''Um feirante, indicado por uma comissão, é responsável pelo cavalete com a autorização da CMTU. Não temos estrutura para fechar as feiras e tem que ser fechado lá em cima por dois problemas: Se não estiver bloqueado, a pessoa entra e podem acontecer acidentes, e se não colocarmos, a pessoa chega lá embaixo e reclama que não tinha nenhum aviso. Isso acontece desde o início da feira, há cerca de 20 anos.''
Grotti atribuiu os transtornos causados na via aos próprios usuários. ''Tem gente que não respeita e estaciona em fila dupla, gente que não obedece a placa mas infelizmente, isso é causado pelo próprio usuário.''
De acordo com Grotti, a companhia está estudando medidas para amenizar o impacto gerado pelas feiras livres no centro da cidade. ''É uma discussão que vem sendo feita desde o ano passado, como também a da rua Santos, às sextas-feiras. Estamos conversando com os feirantes e temos que achar uma saída de bom senso.''


