Feira é a terapia do consumidor
Tristezas não pagam dívidas. A despeito do adágio popular, não é preciso andar muito para se deparar com pessoas de expressão sisuda. Com os londrinenses, a situação não é diferente, mas eles apresentam boas desculpas. Desemprego, juros estratosféricos, dinheiro minguado, disparada do dólar, a globalização, a vaca louca, os transgênicos e tantos outros: motivos não faltam para se ostentar uma permanente cara amarrada. Mas em Londrina existe um lugar onde tem mais gente alegre do que enfezada: as feiras livres.
As feiras livres têm de tudo. Frutas da estação, verduras frescas, flores vivas, pães caseiros e artesanato da terra. Os preços, ainda que altos, são passíveis de se negociar. O feirante, talvez pela informalidade da barraca, é despojado. Ele atrai os fregueses com estilo próprio, mantendo as mesmas frases, muitas vezes durante anos seguidos. Como não comprar as berinjelas cantadas em trovinhas pelo japonês da barraca, mesmo com o preço elevado por estar fora de época? Como resistir ao sorriso largo da feirante que oferece réstias de alho, tão compridas como guirlandas? Os fregueses levam as réstias, as berinjelas, pencas de bananas, alface crespa e vão para casa empurrando seus carrinhos, talvez com a carteira mais vazia, mas com o coração mais leve.
Até mesmo o pastel frito na feira é mais leve. Os nutricionistas podem enumerar as fontes calóricas do pastel, citar os malefícios da gordura, mas só na feira ele tem um ingrediente a seu favor. Na feira, o pastel é recheado de alegria. Aglomerados em frente às barracas, todo mundo come pastel de boca cheia e sorriso largo. Se fosse perguntado, todas as pessoas, ou melhor, quase todas, gostariam que uma vez por semana a feira fosse instalada em uma rua do bairro. Naturalmente, pode ser que tenha alguém que não goste da feira na porta da casa. Vão dizer que atrapalha a saída do carro da garagem, que a bagunça organizada das barracas, que o vaivém das pessoas dificulta a circulação dos vizinhos. Felizmente, são poucos a não gostar das feiras.
Os que não riem nas feiras, segundo a professora do Departamento de Psicologia Geral e Análise de Comportamento da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Edmárcia Manfredin Vila, tendem a reagir sempre de forma negativa. Problemas, diz a psicóloga, todos têm, mas é melhor rir deles de vez em quando. Rir às bandeiras despregadas, seja na feira, na rua, em casa ou no trabalho, faz bem e atrai mais alegria. Bem disse o poeta: É melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe.





