Paulo WolfgangFátima Marques mora em Cambé e vende aviões feitos por ela e o marido com garrafas descartáveisNas manhãs de domingo a avenida Saul Elkind, no Conjunto Vivi Xavier, zona norte de Londrina, se transforma em uma grande feira. No lugar dos carros, inúmeras barracas se espalham por quase dois quilômetros, vendendo desde verduras e frutas a aparelhos de som, sapato, secador de cabelo, roller, chuveiro, binóculos e outras bugigangas. A Feira do Cincão, como é conhecida, atrai centenas de pessoas que vão ao local para comprar desde um simples pé de alface até um aparelho de televisão.
Para a população daquela região, a Feira também se tornou um passeio obrigatório nas manhãs de domingo. Entre uma compra e outra, um encontro com amigos e vizinhos e, é claro, uma parada para saborear aquele pastel. Engordurado, como sempre, mas imperdível. O grande movimento tem atraído muitos comerciantes interessados em vender na Feira os seus produtos. Alguns deles, inclusive, resolveram deixar de lado um emprego com carteira assinada para ser feirante. É o caso, por exemplo, de Maria Aparecida Avelino. Há três anos, ela deixou de trabalhar como balconista numa loja do Shopping Catuaí, para montar uma barraca de produtos eletrônicos da Feira do Cincão.
‘‘Tem domingo em que eu vendo dois aparelhos de som e um televisor. Isso acontece, geralmente, em final e início de mês quando o pessoal recebe o pagamento’’, conta a feirante, ressaltando que não se arrependeu de ter trocado de emprego. ‘‘Ganho muito mais aqui do que quando era balconista no Shopping’’, garante Maria Aparecida. Já Gilvanete Gomes Santana resolveu montar uma barraca de R$ 1,99, onde trabalha com os filhos Alexandre e Alessandro Santana. ‘‘Vendemos uma média de 150 a 180 peças todos os domingos. A cada dia, o movimento está melhorando mais. Logo, essa avenida vai ser pequena para abrigar tanta barraca’’, prevê Gilvanete Gomes.
Paulo WolfgangFamília Santana comercializa média de 150 peças a R$ 1,99O sucesso da Feira está levando também algumas pessoas a migrarem até de cidades vizinhas para a Feira. Fátima Marques, que mora no Jardim Novo Bandeirantes, em Cambé, vende aviões feitos com garrafas descartáveis. ‘‘Eu e meu marido confeccionamos e vendemos por R$ 3,00. Já vendi seis até agora’’, contabiliza a vendedora. Para os moradores dos Cinco Conjuntos a Feira é uma ‘mão na roda’ porque pode-se comprar até presente de última hora. ‘‘Estou procurando um perfume para dar para minha namorada que faz aniversário hoje’’, conta o servidor público Jorge Maia Nogueira, que é um frequentador assíduo da Feira. ‘‘Venho aqui praticamente todos os domingos. Uma vez comprei uma máquina fotográfica para mim e um skate para meu sobrinho’’, lembra ele.
Paulo WolfgangMaria Avelino, ex-balconista, tem barraca de produtos eletrônicos
A estudante Cristiane Regina de Oliveira que também vai à Feira semanalmente prefere circular apenas pelas barracas de frutas e verduras. ‘‘Não costumo comprar nada além de produtos alimentícios’’, afirma a estudante que se considera uma freguesa especial. ‘‘Há dez anos que venho comprar aqui, portanto, sou uma testemunha de como essa Feira cresceu nos últimos anos. Está ficando cada vez mais difícil transitar por entre as barracas. É gente demais e, pelo jeito, a tendência é aumentar, porque já virou um passeio obrigatório aos domingos’’, conclui.

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