No final do ano, é comum o trânsito movimentado em Londrina, em função das compras de Natal. Com a garoa que caiu durante toda a manhã de ontem na cidade, o tráfego também ficou complicado, principalmente na Região Central. Para dificultar ainda mais a vida dos motoristas, uma revenda inventou de interditar a Rua Uruguai para a realização de um feirão de automóveis. E foram só reclamações.
''O trânsito tá insuportável, horrível'', reclamou Luciano Dutra, que tentava subir a Avenida Leste-Oeste por volta das 11 horas de ontem. Parado no semáforo que dá acesso à feira de automóveis, ele não sabia o que fazer para chegar ao Centro. ''A prefeitura investa cada uma, como é possível autorizar uma coisa dessas?''
O motoboy Ivan de Oliveira burlou a faixa que impedia o acesso à Rua Uruguai e trafegou numa boa com sua moto até a esquina com a Rua Santa Catarina, onde deveria fazer uma entrega. ''Preciso subir a Uruguai e vou ter de desligar a moto e empurrá-la até a Santa Catarina porque tenho uma encomenda para entregar. Mas que essa feira atrapalha, atrapalha'', afirmou.
Pelo menos 40 donos de revendas de carros usados que trabalham nas ruas Uruguai e Brasil, na Região Central de Londrina, uniram-se num pool para a realização de uma Feira de Automóveis que termina hoje à tarde.
Segundo o gerente de uma das lojas, Gilberto Moreno, as empresas têm alvará da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para impedir o tráfego de veículos na Rua Uruguai, desde a esquina com a Avenida Leste-Oeste até a Rua São Gerônimo. ''Requisitamos o documento há mais de três meses'', informou Moreno.
Ontem, pelos menos 50 carros estavam estacionados na Rua Uruguai para demostração aos compradores. A via também faz parte do trajeto de ônibus de uma empresa que saem do Terminal Rodoviário rumo à garagem. Segundo Moreno, a empresa rodoviária também foi informada do feirão.
''Resolvemos fazer a feira para dar uma injeção no mercado que está parado e o movimento está sendo bom, apesar da chuva'', avaliou o gerente. Segundo ele, um evento deste porte nunca havia acontecido em Londrina. ''Realizar o feirão próximo às lojas, além de evitar o deslocamento dos carros e possíveis acidentes, favorece a visitação das famílias.''
O diretor de Trânsito da CMTU, Álvaro Grotti, explicou que numa reunião entre a companhia e os garagistas ficou determinado que a feira preservaria as ruas por onde passam linhas de ônibus. ''Antes de autorizar a realização da feira, foram ouvidos o comércio e a vizinhança local e não houve problemas'', declarou Grotti, ressaltando que não houve perdas para o trânsito da região. ''A Rua Uruguai é secundária e o motorista tem outras alternativas para vir ao Centro. Se fosse na Brasil, não teríamos autorizado.''

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