A lua não se apagou mas as ''feiras da Lua'' do Zerão, que acontecem nas noites de quarta, quinta e sexta-feira em diferentes pontos de Londrina, vivem em constante risco de ficarem no escuro por causa dos cada vez mais frequentes casos de furtos da fiação elétrica. A mais prejudicada tem sido a do Zerão (Região Central), que só não deixou de funcionar porque os feirantes se cotizaram e pagaram pelo conserto.
O feirante Ramatis Vargas conhece bem os problemas com os vândalos e dependentes de drogas que aproveitam algumas facilidades para ''fazer algum dinheiro'' furtando os fios que abastecem as barracas com energia elétrica. Como coordenador da Feira da Lua, ele aponta que o problema no Zerão é a carência de iluminação em todo o entorno. A fiação dos postes públicos foram furtadas há meses e a Prefeitura, até o momento, não se animou em fazer a recuperação. Até a central de energia que ficava próxima ao anfiteatro foi destruída a pauladas. ''A pouca iluminação facilita a ação destes marginais'', citou.
Há cerca de três semanas, toda a rede de eletricidade subterrânea que chegava às bancas foi furtada pela segunda vez. Assim como da primeira, os feirantes mais uma vez se uniram e bancaram o custo do conserto de R$ 2,6 mil. ''Se a gente não faz isso, não teria como a feira funcionar'', emendou. Para evitar a repetição do problema, as caixas de onde saem os fios foram concretadas. ''Ainda assim, na semana passada tentaram puxar a fiação mas não conseguiram'', completou o feirante.
Companheiro de ''batalha'' de Vargas, o proprietário da barraca de queijos José Cícero disse que nunca viu uma situação como esta em mais de uma década de trabalho. ''Estamos sentindo mais agora este problema dos furtos'', reclamou. Ele trabalha também nas feiras da Lua da Avenida Inglaterra (Zona Sul), às quintas-feiras, e na do Com-Tour, às sextas, e denuncia que situações semelhantes também ocorrem nestes espaços.
A Feira da Lua do Zerão existe há quase 12 anos no estacionamento do anfiteatro do local. Por lá, famílias inteiras se sentam nas mesas para apreciarem arretados pratos nordestinos, bolinhos portugueses, os delicados sabores japoneses ou os mais característicos aromas chineses. O churrasquinho e os produtos à base de milho também têm espaço garantido. E como qualquer outra feira brasileira, os pastéis não perdem a majestade. Sem contar as barracas de queijos, embutidos, frutas e verduras e até decoração.
Em junho, o secretário municipal de Obras, Aloyisio Crescentini de Freitas, afirmou que a iluminação pública em toda a área do Zerão seria recuperada no mês seguinte. A garantia foi dada em resposta a um protesto realizado por usuários e moradores da região que denunciavam o abandono da área e casos de furtos e assaltos provocados pela escuridão.
Ontem, a Folha voltou a procurá-lo na Secretaria, mas a assessoria informou que ele estaria fora da cidade e só retornaria na segunda-feira. O gerente de Iluminação Pública da Secretaria, Antônio Luiz Sokoloski, explicou que a lista com os materiais foi encaminhada para compras e não há data para recebimento. Isso deve atrasar os reparos em mais algumas semanas.

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