Feira amplia oportunidades para artesãs de Londrina
Evento acontecerá no Calçadão e, além do aumento de vagas, também permitirá a participação pessoas físicas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de julho de 2019
Evento acontecerá no Calçadão e, além do aumento de vagas, também permitirá a participação pessoas físicas
Micaela Orikasa - Grupo Folha 

A partir de setembro, o Calçadão de Londrina passará a contar com mais barracas para a venda de produtos artesanais por meio da Feira Arte Mulher. A estratégia, programada para ocorrer do 1º ao 15º dia de cada mês, visa estimular o aprimoramento profissional e pessoal das artesãs da cidade, com apoio do poder público.
A ação é coordenada pela secretaria municipal de Políticas para as Mulheres e o anúncio oficial foi feito na manhã de terça-feira (23), no gabinete do prefeito Marcelo Belinati. A Feira Arte Mulher foi regulamentada pelo Decreto nº 865, publicado no Jornal Oficial em 16 de julho. “Fizemos uma adequação da Feira Mãos Talentosas que atendia somente associações de artesãos, com oito barracas. Com esse decreto vamos oferecer oportunidades também para pessoas físicas que fazem artesanato e gostariam de ter a complementação de renda participando da feira”, destacou a secretária da pasta, Nádia Oliveira de Moura. Ao todo, serão 34 novas vagas.
Os produtos serão comercializados em barracas, que deverão ser solicitadas junto à secretaria municipal de Políticas para as Mulheres mediante cadastro, a partir do dia 29 de julho. “Uma comissão formada por representantes da secretaria fará a seleção dos novos inscritos. A artesã deverá adquirir uma barraca ao custo de R$ 300. Esse valor é para padronizar. As barracas são azuis e devem ter o mesmo formato”, afirmou.
REQUISITOS
Para participar da seleção para a Feira Arte Mulher, as artesãs devem ter mais de 18 anos e residir em Londrina. A avaliação, seleção e cadastro levará em conta a análise da documentação entregue, por ordem de inscrição, e a disponibilidade de espaços. De acordo com Moura, a expectativa é receber uma grande demanda e portanto, haverá cadastro reserva. A Feira também poderá funcionar em outras datas e locais.
Os produtos vendidos na feira precisam ser provenientes de trabalho manual, de artesanato, plantas ornamentais e aromáticas, e produtos alimentícios que não poderão ser preparados durante o funcionamento, devendo seguir a legislação municipal.
COMISSÃO
A comissão fará ainda o acompanhamento das ações, a certificação de que os produtos comercializados atendem aos requisitos exigidos, além de acompanhar a assiduidade e cumprimento aos deveres estabelecidos. A cada seis meses, duas mulheres participantes da Feira serão eleitas para integrar a comissão ao lado de duas representantes da secretaria.
Segundo informações da prefeitura, a secretaria da Mulher fará a divulgação da Feira Arte e irá promover a capacitação e qualificação das mulheres, por meio de cursos ofertados pela própria Secretaria ou juntamente a parceiros.
'AS PESSOAS NÃO
ENXERGAM O VALOR'
Rosalina Batista, do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, destacou no lançamento da Feira Arte Mulher de Londrina que “sozinhas, as artesãs não chegam a lugar nenhum”. Ela trabalha com artesanato há muitos anos e sempre foi ativa na defesa dos direitos das mulheres em Londrina.
“As pessoas não enxergam o valor que há por trás de uma peça como essa. Tecnologia nenhuma é capaz de produzir, proporcionar isso, pois para quem é artesã produzir não é só uma fonte de renda. Faz bem para a alma”, afirmou Batista, apontando para panos de pratos, toalhas e outros materiais levados por artesãs ao gabinete do prefeito Marcelo Belinati.

“Todas as atividades que buscam renda e sustento para as mulheres se refletem em condições de vida melhores para as famílias e, o que é mais importante, torna a mulher mais segura para em muitos casos se libertar de situações de opressão e violência”, lembrou o prefeito.
A artesã Marilda Camargo coordena uma associação de artesãs no parque Ouro Branco (zona sul) e conta que cinco mulheres se reúnem ao menos uma vez ao mês para produzirem juntas. “O artesanato não significa só sair de casa ou um momento de lazer. É a autonomia que se conquista porque para muitas mulheres essa acaba sendo a única renda”, disse.
Regiane e sua mãe Marilene Florenski são um exemplo de vida através do artesanato. Elas encontram nos kits de cozinha e cobre alimentos bordados a principal fonte de renda há cerca de 20 anos. “A gente precisa de estímulos como essa feira porque isso nos garante uma produção quase que diária, além da renda, pois é o que nos ajuda a pagar as contas de casa”, comentou Regiane.



