Feira agrícola mantém tradição em Assaí
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domingo, 08 de junho de 2008
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Durante os três últimos dias, cerca de 400 famílias de pequenos agricultores deram continuidade a uma tradição inaugurada em 1935, no município de Assaí (36 km a leste de Londrina). Elas participaram da 65 Exposição Agrícola Regional (Expoasa), evento criado por imigrantes japoneses na época de ouro do café e do algodão, e que hoje é uma vitrine da diversificação da agricultura familiar na região. A feira é organizada pela Liga das Associações Culturais de Assaí (Laca).
Mais de 3,5 mil produtos hortifrutigrangeiros e industrializados foram expostos. Nas coloridas prateleiras montadas no Centro Poliesportivo Yonezo Ueno, na saída para Curitiba, os visitantes encontraram desde amostras de frutas comuns na região, como poncãs e atemóias, até variedades trazidas do nordeste, como mangustão e jenipapo. Grãos, cereais, hortaliças, raízes, flores, mudas de árvores, doces, compotas, bebidas e vários outros itens também estiveram à mostra. ''Este é um solo abençoado, onde quase tudo pode ser cultivado'', garantiu o engenheiro agrônomo e coordenador da exposição, Luiz Minoru Shirai.
Segundo ele, a Expoasa é o evento do gênero mais antigo do Brasil. Só foi interrompida durante a 2 Guerra Mundial, em represália à participação japonesa nas ''linhas inimigas''. Shirai lembra que Assaí atravessou o ciclo do café e chegou a ser capital nacional do algodão, mas teve que se adaptar a novas culturas. 'Oitenta por cento das propriedades rurais na região são de mini e pequenos produtores. Se eles não diversificarem as culturas para produzir o ano todo, não conseguem sobreviver'', afirmou.
A cidade, que chegou a ter 60 mil habitantes na década de 80, hoje tem 15 mil. De acordo com Shirai, a crise no campo fez com que muitos se tornassem dekasseguis - hoje, calcula-se que há 3 mil assaienses no Japão. Com a exposição agrícola, diz o coordenador, a colônia busca conservar uma tradição e mostrar a força da agricultura. O produtor de frutas e cereais Mamoru Kogio, 70 anos, que diz ser expositor ''desde que se entende por gente'', contou que conseguiu manter alguns descendentes no campo. Um dos filhos, de 40 anos, também participa da feira. ''Isso tudo depende da família. Tem que mostrar aos filhos que trabalhar na propriedade é melhor do que ser bóia-fria no Japão''. disse.
Além de conservar a tradição, o objetivo da feira é divulgar a produção agrícola de Assaí e outros três municípios participantes - Nova América da Colina, Nova Santa Bárbara e São Sebastião da Amoreira. Todo o material exposto é julgado por profissionais de agronomia e recebe pontuação. Ao final do evento, os primeiros colocados recebem troféus e prêmios simbólicos, como fertilizantes. Competem entre si as 12 sessões nas quais a Zona Rural é dividida; cada sessão tem de 30 a 40 famílias.
A família do agricultor Edson Hideo Gudi, 37 anos, ganhou o primeiro lugar na categoria individual com uma variedade de laranja, e o segundo com uma amostra de limão taiti.
Os valores pelos quais os produtos são vendidos também são simbólicos. Como o propósito dos expositores não é ter lucro, tudo é comercializado a preço de custo. O único porém é que os compradores têm que retirar um canhoto dos exemplares que lhes interessam e só podem levar as ''mercadorias'' ao final da feira, após a premiação.


