A Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar) acusa os maiores planos de saúde de reduzirem os pagamentos pelos serviços realizados nos hospitais. Segundo o presidente da Fehospar, José Francisco Schiavon, se não houver negociação, os estabelecimentos formalizarão denúncia na Justiça. ‘‘Chegamos num momento de esgotamento de todas as possibilidades’’, afirmou. ‘‘A qualquer momento poderemos fazer uma assembléia e tomar uma decisão mais drástica.’’ A redução nos pagamentos estaria ocorrendo desde janeiro.
Schiavon disse que já comunicou a situação ao Ministério Público e ao Ministério da Justiça. Junto com o pedido de acompanhamento do caso, a Fehospar alertou sobre a possibilidade de inviabilização dos atendimentos, se as reduções continuarem.
Segundo Schiavon, os planos estão aumentando os preços ao consumidor, mas não repassando a alteração aos hospitais. ‘‘Essa decisão unilateral tem trazido dificuldades, ainda mais num momento em que os insumos tiveram os preços alterados’’.
Solução - Enquanto os hospitais particulares reclamam dos convênios, o Hospital de Clínicas (HC) está encontrando neles a solução para seu déficit mensal de R$ 300 mil. Segundo o diretor geral do HC, Mitsuro Myaki, a intenção é eliminar o déficit a médio prazo. ‘‘Na maioria dos procedimentos, os convênios pagam cinco ou até dez vezes mais que o SUS’’, afirmou Myaki. Enquanto o SUS paga R$ 2,60 por uma consulta, os convênios pagam R$ 28,00.
O atendimento aos convênios pode começar ainda neste mês. Uma pesquisa feita dentro do HC mostrou que até 15% dos pacientes atendidos no hospital pelo SUS possuem algum tipo de convênio, mas até agora todos estavam sendo atendidos pelo SUS.
Hoje, cerca de 100% dos atendimentos são feitos pelo SUS - 800 mil por ano. Com a nova medida, 70% dos leitos (441) devem continuar destinados aos pacientes do SUS, e 30% aos convênios.
Os pacientes conveniados serão atendidos desde que não prejudiquem a demanda do SUS. As áreas ambulatorias, por enquanto, não servirão aos clientes de convênios, uma vez que há muita procura pelos pacientes do SUS. Mas áreas como as de diagnóstico (exames), procedimentos de alta complexidade (cardíacos e transplantes), e serviços em geral, como farmácia e nutrição, estarão à disposição dos convênios.Arquivo FolhaNo HC, atendimentos aos convênios pode começar ainda este mêsAnna Camanducaia

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