Federal quer diminuir desistentes
Michele Muller
De Curitiba
Os alunos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) têm até o próximo sábado para preencher uma das 30 vagas do programa de orientação oferecido pelo Centro de Psicologia Aplicada (CPA), do departamento de psicologia da universidade. Coordenado pela professora e psicóloga Luciana Valore, o programa tem como objetivo atender aqueles estudantes que já estão no terceiro grau, mas pretendem mudar de área ou de curso.
Em sessões semanais de duas horas, os inscritos irão desenvolver várias atividades de auto-conhecimentoe adquirir informações detalhadas sobre o curso para o qual pretendem pedir tranferência.
A iniciativa de Luciana tem origem em um dado que escuta com frequência em palestras promovidas Associação Brasileira de Orientação Profissional: o índice mundial de evasão no ensino superior é de 40%. Na UFPR, os cursos em que mais há desistência são os de licenciatura.
As razões para a evasão são muitas, de acordo com Luciana. Uma delas é a falta de informação a respeito das profissões. Os colégios de 2º grau não oferecem orientação profissional aos alunos, explica.
Outro motivo, segundo ela, é a falta de auto-conhecimento de muitos adolescentes. Muitas pessoas, com 16 anos, não sabem do que gostam, não sabem o que querem e não conhecem seus medos, suas limitações, diz.
A universitária Isis Natelconcorda com a psicóloga. Ela é uma desses estudantes que, na adolescência, sofria com dúvidas em relação a carreira. Achou que seu interesse por tabelas de calorias poderia lhe transformar numa boa nutricionista. Passou em Nutrição, nas Faculdades Espíritas, e ainda no primeiro ano de curso acabou desistindo da profissão. Este ano, ela se forma em Administração, na Unicemp. As pessoas têm que escolher o curso cedo demais. Por uma lado, ainda não estão preparadas o suficiente, como foi o meu caso. Por outro, têm tempo de desistir de uma área e escolher outra, opina Isis.
O estudante Rodrigo Nogueira Pedro Bon indica outro motivo para a alta evasão nos cursos superiores: a entrada na universidade por insistência dos pais. Eu sempre quis ser pitolo aéreo, mas meus pais me fizeram optar por uma profissão com melhor campo de trabalho, conta. O resultado foram dois anos na sala do curso de veterinária, na Unimar, em Marília (SP). Rodrigo acabou convencendo seus pais ao matricularem em Ciências Aeronáuticas, na Universidade Tuiuti do Paraná (UTP).





