O vestibular de janeiro da Universidade Estadual de Londrina (UEL) foi disputado por mais de 35 mil candidatos. O número de vagas, no entanto, é suficiente para menos de dez por cento dos concorrentes. Os ''excluídos'' do processo seletivo poderão ter uma alternativa viável com a possível implantação de uma instituição federal de ensino superior na cidade. O problema é que a iniciativa de autoria do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), que está em tramitação desde 2002, não tem data para ser concretizada.
O projeto foi aprovado no mês passado pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara Federal. O texto está agora na coordenação de comissões, órgão responsável pela publicação e encaminhamento do projeto. Antes da aprovação definitiva, tem de passar também pelas comissões de Educação e Cultura, presidida por Paulo Delgado (PT-MG), Finanças e Tributação (Geddel Vieira Lima - PMDB-BA) e Constituição, Justiça e Cidadania (Antonio Carlos Biscaia - PT-RJ). Não é necessária aprovação em plenário. A proposta não especifica o número de vagas nem os cursos que poderão ser criados.
O Paraná conta com apenas uma universidade federal, que está sediada em Curitiba, e possui seis instituições estaduais.
O presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Norte do Paraná (Sinepe/NPR), Alderi Luiz Ferraresi, avaliou como ''importantíssima'' a possível instalação da instituição de ensino superior federal em Londrina. ''A cidade está se destacando como prestadora de serviços, principalmente na área da educação. Londrina já polariza o Norte do Paraná e o Sul de São Paulo. Esta instituição só viria para somar nessa linha'', avaliou.
Para ele, a concretização da universidade depende, além do apoio de políticos locais, de pressão popular. ''A sociedade deveria pressionar para que o projeto andasse mais rápido. Os políticos também deveriam abrir mão da questão partidária para lutar pela universidade. O partido deve ser a cidade de Londrina'', salientou Ferraresi, que é diretor de ensino médio do Colégio Universitário.
O diretor do Colégio Maxi, Ubiracy D'Andrea, destacou que a cidade é um pólo educacional regional e poderá ter maior excelência na atividade pedagógica. ''Nosso segmento fica feliz pelos alunos, que terão mais oportunidades'', afirmou. Ele citou ainda que a instituição poderá ''gerar empregos, mobilizar as forças econômicas locais e aumentar o grau de intelectualidade da cidade.''
Fontes ligadas ao setor de administração da Universidade Estadual de Londrina (UEL) consideraram prematuro emitir opinião sobre a possível instalação de uma universidade federal na cidade. Também foi destacado que a discussão deve priorizar a solução da questão do financiamento da nova instituição.
O setor do ensino superior particular também deve sofrer os efeitos da instalação da nova universidade. Para o pró-reitor de ensino e extensão da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Hélio Rodolfo Navarro, ''todo esforço para aumentar o pólo universitário de Londrina é bem-vindo.'' Ele advertiu, porém, que o governo precisa manter e fortalecer as parcerias, como projetos de extensão, com as universidades existentes.

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