Segundo a Polícia Federal, uma série de erros dos patrulheiros rodoviários logo após o pouso forçado de um avião monomotor carregado com 469 quilos de maconha – abandonado na tarde de anteontem no aeroporto de Cornélio Procópio – pode prejudicar as investigações sobre o caso. O delegado da PF responsável pelo inquérito, Pedro Paulo de Figueiredo, disse que os policiais rodoviários erraram ao remover a droga de dentro da aeronave, de conduzí-la da pista para o estacionamento do aeroporto e de ter manuseado a carta aeronáutica que estava em seu interior.
‘‘O local do crime é intocável. Qualquer leigo sabe disso’’. O delegado também reclamou da demora na comunicação do fato. ‘‘Fomos informados apenas às 16h30 (três horas depois da ocorrência)’’.
Washington Alves da Rosa, capitão da 2ª Companhia da Polícia Rodoviária, sediada em Londrina, rebateu as críticas. Disse que determinou a retirada da droga do avião porque poderia se tratar de uma ação planejada. ‘‘A droga na pista colocava nossos policiais em risco’’. O capitão garantiu que os patrulheiros são preparados e sabem quando podem ou não ‘‘mexer’’ no local de um crime. ‘‘Avaliamos que não havia nenhum motivo para deixar o avião e a droga onde estavam’’. Ele também negou a demora na comunicação do fato à PF. ‘‘Fizemos imediatamente. Não dá para entender porque custaram tanto a chegar’’.
A única pista consistente sobre o responsável pelo transporte da droga surgiu durante a madrugada. Telefonemas anônimos para a delegacia da PF afirmaram que um traficante já procurado pela polícia seria o dono da carga.
O proprietário do avião, cujo nome e residência também não foram divulgados, deve receber carta precatória (ele vive longe do Norte do Paraná, em local mantido em sigilo) no final de semana.
Uma adaptação que permite o reabastecimento da aeronave sem necessidade de pousar reforçou a tese de que entre a decolagem e o pouso havia um longo percurso.