Federal apreende 1,4 quilo de cocaína
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quarta-feira, 21 de maio de 1997
Paulo Ubiratan 
Milton DóriaInvestigaçãoDelegado Morel, com parte da cocaína apreendida: PF chegou às mulheres através de informações passadas pela Interpol italianaA Polícia Federal (PF) de Londrina prendeu ontem Márcia Helena Marcussi, 30 anos, e a tia dela, Cleusa Teixeira Carvalho, 54 anos, cada uma com aproximadamente 400 gramas de cocaína no estômago e outros 300 gramas acondicinadas em três saquinhos escondidos no ânus. Ao todo, as mulheres levavam um 1,4 quilo de cocaína.
A prisão ocorreu por volta das 14h30, no Aeroporto de Londrina, quando tia e sobrinha embarcavam para São Paulo. À noite, elas seguiriam para Roma, na Itália, para onde seria levado o tóxico. Em depoimento ao delegado chefe da PF em Londrina, Roberto Morel, Márcia Helena disse que o marido dela, José Luis dos Santos, estaria, hoje, aguardando-as no aeroporto romano. Ele está há um mês em Roma, para onde também teria levado cocaína.
Após serem presas, as duas foram levadas para o Hospital Evangélico e submetidas a radiografia e lavagem intestinal. O quadro clínico das mulheres era normal até o fechamento desta edição. Uma equipe médica de gastroenterologistas estava atenta para que a cocaína não vazasse no interior do estômago, pois elas poderiam morrer por overdose.
ReproduçãoMárcia Marcussi: 700 gramas de cocaína no corpo e risco de morte por overdose
Roberto Morel disse que a polícia chegou a Márcia e Cleusa por informações da Interpol italiana. As investigações em Londrina duraram dois meses. O cunhado de Márcia, Rômulo Martins, foi detido na casa da família localizada na rua Topázio, 151, no Jardim Ideal (zona leste) e levado à sede da PF para prestar depoimento, que começou por volta das 21 horas.
No ano passado, Martins foi condenado há dez anos de reclusão por tráfico de tóxico pela Justiça italiana. Após cumprir seis meses de pena, foi expulso daquele país. Na residência foram encontrados restos de embalagens para freezer - possivelmente o mesmo material usado para acondicionar a cocaína que as mulheres levavam no estômago e no ânus. No local não foi encontrado tóxico. Em frente à residência, com padrões bem acima das casas dos vizinhos, estava uma placa Transportes Marcussi. Um policial federal que estava vigiando o local chegou a brincar: Somente com esta placa em frente da casa eles estão condenados. Os traficantes se denunciam. Faltou somente completar: transportes de cocaína.
Os vizinhos saíram para a rua com a chegada da polícia na residência. Eles conversaram com a imprensa mas pediram para não serem identificados. Uma vizinha contou que a casa dos Marcussi era muito movimentada; lá paravam muitos carros de luxo na frente. Outra vizinha revelou que a família não era de falar muito. Eles viviam distanciados dos vizinhos e que, às vezes, chegavam na casa pessoas falando uma língua esquisita.
José Luiz e Márcia: polícia investiga se o casal está ligado à máfia italiana ou latino-americana; ele está em Roma há um mês, para onde também teria levado cocaína, segundo a mulher
O delegado Roberto Morel não soube afirmar se Márcia e Cleusa são mulas (transportadoras de tóxico) da máfia italiana ou dos cartéis do narcotráfico boliviano ou peruano. No entanto, ele disse que não tem dúvidas de que as duas mulheres pertencem ao tráfico pesado do tóxico, sem afirmar que Londrina está na rota dos traficantes.
Os dois principais chefes de quadrilhas ligados às drogas, desbaratadas pela PF em Londrina, foram Gilberto Yanes e Benedito Carlos Clausen, conhecido por Dito Quati.
A conexão internacional de narcotráfico chefiado por Yanes foi descoberta em fevereiro de 1985. Já Dito Quati, ex-prefeito de Platina (SP), comandava uma quadrilha que refinava cocaína no distrito de Lerroville (zona sul). No local foi feita a maior apreensão de cocaína do Paraná: 170 quilos, sendo que 40 gramas em forma de pasta.


