O presidente da Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior (Andes), Renato de Oliveira, defendeu ontem em Curitiba que a proposta do governo federal de conceder autonomia às universidades públicas não pode ficar atrelada a convênios com a iniciativa privada. Oliveira participou ontem de seminário sobre o tema na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ele disse que a idéia do governo expõe a chance de deixar as instituições à mercê de grupos econômicos privados.
‘‘Um dos principais problemas destes convênios será o interesse imediato que as empresas terão no retorno de seus investimentos’’, disse o presidente da Andes, uma espécie de sindicato nacional dos professores universitários. Renato de Oliveira menciona que as universidades trabalham com resultados de longo prazo e terão dificuldades para empregar o dinheiro financiado pelas empresas. ‘‘Serão as empresas que vão determinar as áreas da universidade onde os recursos serão empregados de acordo com seus interesses’’, afirmou.
Na concepção de Oliveira, a autonomia defendida pela Andes pode expandir o processo de pesquisa nas universidades. Com orçamento próprio e liberdade para definir as prioridades, Renato de Oliveira argumenta que as instituições não dependerão mais de órgãos financiadores do governo na área de pesquisa - como o CNPQ e a Finep - para ter os recursos. A contratação de professores, que hoje depende de autorização do governo, seria feita diretamente pela própria instituição, segundo Oliveira.
O professor da UFPR Luiz Carlos de Oliveira acredita que a autonomia terá a finalidade reforçar a possibilidade das universidades contribuírem na elaboração de um projeto autônomo de desenvolvimento para o País. ‘‘A autonomia tem que ter perspectiva de produzir uma nova tecnologia para o Brasil. Se isso não acontecer, a autonomia não passará de uma falácia’’, comentou. Segundo ele, a chance das universidades decidirem o próprio rumo não pode ficar restrita a soluções de problemas de gerenciamento de caixa. ‘‘É preciso que a autonomia atenda as necessidades básicas da sociedade’’, observou.
De acordo com o presidente da Andes, Renato de Oliveira, representantes da comunidade terão a chance de fazer parte dos conselhos gestores que definirão as áreas onde os recursos serão empregados. Oliveira acha que a autonomia proporcionará uma aproximação maior entre sociedade e universidade.

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