A Federação de Favelas e Assentamentos de Londrina já perdeu o controle sobre as invasões e ocupações de áreas na Cidade. A afirmação é do presidente da entidade, José Ricardo da Silva, que disse estar preocupado com a situação. ‘‘A federação foi criada para defender, apoiar e lutar pelos movimentos de pessoas humildes e realmente necessitadas de moradia e infra-estrutura básica. Mas ocupação está virando meio de vida para muita gente’’, diz. Ele denuncia que muitas das invasões recentes estão sendo lideradas por ‘‘especuladores’’.
Segundo José Ricardo, eles organizam a ocupação ‘‘usando a ingenuidade e desespero das pessoas’’, para pegar lotes e depois revendê-los. A Federação estima que atualmente cerca de 10% das pessoas que participam de invasões usam o movimento como meio de vida. ‘‘A Federação sempre exerceu controle sobre estes movimentos, para garantir que só as famílias realmente carentes conseguissem um lote. Mas hoje a situação mudou.’’
Sem o respaldo da entidade, diz Ricardo, as famílias são prejudicadas porque dificilmente conseguem legalizar a ocupação. Ele lembra que a Federação trabalha em conjunto com os poderes públicos, procurando áreas que possam ser destinadas à moradia e em busca da solução dos problemas básicos dos assentamentos, favelas e ocupações.
Para José Ricardo, porém, a solução para o problema está na mão da Prefeitura e é a ‘‘velha bandeira de luta da Federação’’: a criação de loteamentos populares. Ele argumenta que, apesar da falta de recursos, o poder público municipal tem meios para garantir a realização de um programa de moradia que atenda a população carente - com ganhos de até 2,5 salários mínimos. E avisa que enquanto o município não estabelecer uma política desse tipo, as ocupações vão continuar acontecendo.
(Célia Baroni)

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