Federação não sabia de 'esquema'
Dimitri do Valle
De Curitiba
O presidente da Federação das Misericórdias do Paraná, Jerônimo Antônio Fortunato Júnior, foi pego de surpresa ontem à tarde quando soube que a Santa Casa de Misericórdia de Curitiba era alvo de denúncias de manter um esquema de privilégios para lucrar com os atendimentos ao público. Não tenho conhecimento das denúncias. Realmente é algo curioso que precisa ser averiguado, declarou.
A administração da Santa Casa foi acusada pelo vice-provedor da instituição, coronel de artilharia José Newton Rodrigues Romeiro. Ele revelou que funcionários do alto escalão, inclusive médicos, têm poderes para contratar apadrinhados e se beneficiar da estrutura da Santa Casa - que é considerada entidade filantrópica isenta do pagamento de impostos - em atendimentos particulares. O provedor Ari de Christan nega todas as acusações.
José Antônio Fortunato Júnior disse que vai procurar esclarecimentos com Christan e Romeiro. Vou entrar em contato para saber os dois lados dessa história, disse. No entanto, o presidente da Federação admitiu que os contratos de serviços terceirizados na Santa Casa podem gerar benefícios para quem presta trabalho para a instituição. É um vício que veio de tradição, mas não que isso influencie no atendimento ao público. Existe uma discussão dentro da administração para mudar estes contratos, mas é preciso tempo para se analisar isso, declarou.
A Folha teve acesso ontem a trechos de duas cartas enviadas por Christan ao coronel Romeiro. Numa delas, de 10 de fevereiro deste ano, o provedor pede que o denunciante deixe a função de vice-provedor diante dos desentendimentos que teve com o corpo administrativo. Christan confirma em outra carta confidencial a Romeiro que deparamos, juntos, com uma estrutura marcada por vícios crônicos, onde ressalta grande jogo de interesses. Mais adiante o provedor confessa que a instituição é um complexo de paradoxos com empresas lucrativas e profissionais que não ganham o condizente com o esforço dispendido.





