Curitiba - Os hospitais conveniados com o Sistema Único de Saúde (SUS) podem ter o atendimento prejudicado nos próximos dias, caso o governo estadual não repasse verbas para cobrir os cortes feitos sem aviso prévio nos municípos paranaenses. De acordo com a Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar), os serviços conveniados prestados em julho tiveram bloqueio entre 10% e 15%, o que onerou as instituições, que só foram notificadas em agosto.
Ontem, a Fehospar protocolou denúncia à Procuradoria Geral da República no Estado para que a redução do repasse aos hospitais seja investigada. A medida foi tomada também para que os hospitas não sejam responsabilizados caso o atendimento sofra alteração. O presidente da Fehospar, José Francisco Schiavon, explicou que as instituições atingidas não têm recurso para arcar com os prejuízos. ''Queremos buscar uma alternativa para reduzir o impacto sofrido, principalmente nos hospitais do interior do Estado.''
O Paraná conta com 556 hospitais conveniados e mais cerca de 500 ambulatórios que atendem pela rede pública. ''Não temos o número exato de quantos foram atingidos, mas o prejuízo é expressivo'', salienta Schiavon. Ele esclarece que a denúncia à Procuradoria foi necessária justamente para que a situação seja levantada. A instituição pretende esclarecer ainda se os cortes são atribuídos à utilização de parte do dinheiro do SUS para custear deficiências do novo plano de assistência ao funcionalismo.
A Fehospar informou que os cortes promovidos representam perto de R$ 10 milhões. A Secretaria Estadual de Saúde enviou nota à imprensa ontem confirmando os cortes, mas negando o valor levantado pela instituição. De acordo com a secretaria, os cortes representam cerca de R$ 1,7 mil. A redução é atribuída ao fato do teto financeiro do Estado estar extrapolando mensalmente. Problema, segundo a secretaria, que ''já está em discussão com o Ministério da Saúde''.
A nota oficial afirma ainda que os cortes foram destinados somente às Autorizações de Internamentos Hospitalares e que o governo não foi omisso nos compromissos restantes, quitando as despesas até o momento. A nota foi assinada pelo secretário estadual da Saúde, Luiz Carlos Sobania.

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