Quem teve de usar o Aeroporto Governador José Richa, de Londrina, após o feriado precisou de uma dose de paciência. Ontem, o terminal foi fechado para pousos e decolagens logo pela manhã, às 7h53, por causa do mau tempo. Entre operações por instrumento e novos fechamentos, o funcionamento normal só foi retomado às 12h38, quase cinco horas depois. Outro fechamento ocorreu às 16h25. Às 16h41, as operações foram retomadas por instrumentos e no visual, às 17 horas. Segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), de 14 voos programados para este período, seis foram cancelados e dois atrasaram.
Entre os passageiros, a espera gerou preocupação em quem precisava voltar para casa ou tinha compromissos após o feriado. O professor Fernando Stratico, de 57 anos, corria o risco de se atrasar para um seminário em Cuiabá, no Mato Grosso. Ele queria chegar mais cedo para se preparar. "É complicado, temos de ficar esperando porque, de repente, pode abrir. São as mazelas que quem precisa usar aeroportos está sujeito", comentou.
Também professora, Rafaela Sá, de 39, tentava seguir para Marabá, no Pará. Com o fechamento do aeroporto, já nem sabia mais se chegaria em casa ontem ou apenas hoje. "A passagem estava comprada desde julho", conta. Após a espera pelo voo para Curitiba, que havia sido cancelado pela manhã, ela ainda precisaria fazer uma nova conexão em Campinas para pousar então em seu Estado. "Desgasta bastante porque temos compromisso lá", pontuou a passageira.
Já a aposentada Cléia Annerl, de 66, aguardava o desenrolar da situação do voo em que uma amiga estava. Ela havia embarcado num avião para São Paulo sete minutos antes do aeroporto fechar. "Ficaram todos dentro do avião esperando liberarem para decolar. Ela acabou perdendo a conexão que tinha para Porto Alegre", relatou Cléia.
O aeroporto de Londrina ainda não tem o sistema ILS, instrumento que orienta pilotos em condições meteorológicas adversas. A comunidade reivindica o sistema há pelo menos 20 anos, mas a previsão é que a instalação só ocorra em 2019, observou ontem o superintendente da Infraero em Londrina, Marcus Vinícius Pio. Segundo ele, o ILS deve ser instalado na última fase de ampliação do aeroporto, já que o sistema depende de zonas de proteção no entorno para funcionar. "Ainda temos que encerrar o processo de desapropriações na face norte no aeroporto. Terminando isso, as áreas serão escrituradas para a União e começaremos o planejamento para as ampliações", afirmou Pio.
Ele observou, contudo, que mesmo que o aeroporto de Londrina tenha ILS, o sistema não garantirá 100% de ganho operacional. "Em nenhum lugar do mundo o sistema funciona desta forma. A estimativa é que tenhamos o cancelamento de 10% a 15% do que temos nestas condições sem o ILS", calculou o superintendente.
As obras de ampliação do Aeroporto de Londrina estão orçadas em aproximadamente R$ 80 milhões. Ontem, a previsão da administração era de que 3 mil pessoas passassem pelo local.

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