Dorico da SilvaNo meio do caminhoPassagem que dava acesso a chácaras e foi fechada pela Ferrovia Sul Atlântico: vizinhos descontentesO fechamento de uma passagem que dava acesso a cinco chácaras na zona leste está incomodando os proprietários das áreas. O trecho de cerca de 50 metros foi fechado há uma semana pela Ferrovia Sul Atlântico (antiga Rede Ferroviária Federal S.A., privatizada em março) para proteger o quintal da residência do caseiro, que trabalha na associação dos funcionários da empresa. No local estão o pátio da Ferrovia e a associação.
O problema é que o trecho cercado com alambrado, usando trilhos da própria rede como sustentação, foi calçado com cacos de telha pelos proprietários rurais, assim como o restante da estrada.
Em troca da passagem segura, a Ferrovia Sul Atlântico abriu uma passagem a poucos metros dali, porém cercada de mato e sem nenhum tipo de calçamento para facilitar a passagem.
‘‘Se tivesse cascalho, estaria tudo bem. Mas, do jeito que está, quando chove não dá para passar’’, reclama o morador de uma das chácaras, Luiz Jorge Bolognesi. A maior dificuldade, segundo ele, é fazer a curva para retornar ao acesso original.
‘‘Deixaram uma opção intransitável. Com chuva fica impossível passar pelo local e a gente tem que passar pelo meio da propriedade’’, diz Luiz Bolognesi. Entre as cinco chácaras da região, duas pertencem a associações de funcionários.
Outra reclamação de Bolognesi é a construção da casa da associação sobre a canaleta que conduzia a água do pátio para uma boca-de-lobo, evitando a erosão dos terrenos localizados na parte mais baixa da região. A canaleta foi construída, segundo Bolognesi, em 1976, quando o trajeto da linha férrea, que passava pelo Centro da Cidade, foi mudado.
‘‘Não queremos que se privem de nada, mas têm que respeitar os outros. Nós (proprietários) fazemos tudo pensando na coletividade e eles não pensam em ninguém’’, lamenta Luiz Bolognesi.
O supervisor de segurança patrimonial da Ferrovia, Ademir Foli, admite que os proprietários ‘‘capricharam’’ na manutenção da estrada e acabaram com um trecho em más condições, mas, na sua opinião, quem deveria resolver o problema é a Prefeitura. ‘‘O problema é o dinheiro para arrumar a estrada.’’
Ademir Foli afirma ainda que a passagem foi cercada para proteger a família do caseiro. ‘‘Nos finais de semana tem jogo nas chácaras e muitos carros passavam pelo quintal dele, colocando as crianças em risco’’, justifica.
Foli explica ainda que o terreno cercado faz parte da área de segurança da rede ferroviária - são 150 metros de cada lado, contados a partir do meio do pátio. Depois de dizer que ‘‘o terreno é da Ferrovia e ela faz o que quiser’’, Foli argumentou sobre a localização da casa.
Ele acredita que a canaleta continua passando debaixo da casa de madeira erguida há dois anos. ‘‘Do contrário a casa já teria sido inundada durante a última enchente.’’
Na semana passada, o secretário municipal de Obras, José Righi de Oliveira, mandou uma equipe para conhecer a situação das passagens - a fechada e a aberta.
‘‘Vamos moledar aquele trecho que é bem pequeno. Mas isso só pode ser feito uns dois depois que a chuva parar para que o terreno esteja compactado’’, disse. Segundo José Righi de Oliveira, quatro ou cinco caminhões de moledo devem ser suficientes.

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