Marta Medeiros
De Maringá
Especial para a Folha
A comunidade de Fernão Dias, distrito de Munhoz de Melo (27 quilômetros ao norte de Maringá) está indignada com o fechamento da Escola Estadual ‘‘Fernão Dias’’ de 5ª a 8ª série. Mais de 60 alunos estão sem opção para continuar os estudos. A grande maioria trabalha nas lavouras e frequentava as aulas do período noturno. Sem escola e sem acesso por estrada asfaltada a outros centros urbanos, os moradores do distrito não sabem o que fazer. O Estado alega número reduzido de alunos e fora da idade estudantil para justificar o fechamento da escola.
As professoras consideram a situação desoladora. Os pais de alunos não têm condições de enviar os filhos para escolas de Munhoz de Melo ou de Astorga. O município não dispõe de ônibus para transportar os estudantes da zona rural e as turmas de 5ª a 8ª série que funcionavam no período da noite, em Munhoz de Melo, também foram fechadas. As estradas de acesso ao distrito, que fica a 16 quilômetros de Munhoz de Melo, são de terra. Para outros centros urbanos, como Astorga e Santa Fé, a distância é de 30 quilômetros. Segundo os moradores, quando chove, as estradas ficam intransitáveis.
Para o lavrador Antonio Oliveira Lopes, 41 anos, que iria concluir a 8ª série este ano, o problema existe como resultado de descaso político. ‘‘Ninguém tomou providências para evitar o fechamento da escola’’, disse Lopes. O lavrador tem um filho de 11 anos que trabalha em fazenda de gado leiteiro e que este ano deveria estar na 6ª série. Lopes representa a situação de outras famílias que não sabem a quem recorrer para garantir a continuidade da escola. ‘‘O governo não percebe que custa mais caro para o Estado depois estar com crianças nas ruas e sem estudo’’, afirmou Lopes.
A secretária administrativa da escola, Miriã Nunes Venâncio e a professora Ana Maria Paixão da Silva contaram que a informação sobre o fechamento de turmas veio do Núcleo Regional de Educação (NRE), com sede em Maringá, somente no início do ano letivo. Aberta há 16 anos, a escola está equipada com aparelhos de televisão, vídeo e computadores. ‘‘Temos uma estrutura tão boa para os nossos alunos e estamos sem poder atuar’’, ressalta Miriã.
O prefeito de Munhoz de Melo, Celso Silva (PSDB), tem audiência marcada no dia 1º de março com a secretária de Estado de Educação, Alcyone Saliba, para tentar resolver a situação. A chefe do NRE, Dilce Genari, disse ontem que o ideal seria que o município tivesse transporte escolar. Além disso, o NRE pode avaliar a necessidade de implantação de um programa de educação acelerada para os alunos com idade escolar avançada. Ela lembrou que, na escola do distrito, há alunos com idades que variam de 27 a 48 anos.

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