Fechamento de escola revolta alunos
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quinta-feira, 06 de setembro de 2012
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Incerteza quanto à continuidade ou não das aulas e insegurança em relação à perda do ano letivo e da validade do diploma de conclusão dos estudos. É neste clima de muitas dúvidas e quase nenhuma informação que os mais de 30 alunos do Centro Integrado Estadual de Educação Básica (Cieeb) Professora Dulceney Becker, localizado na Vila Casoni (Zona Leste de Londrina), têm frequentado as aulas diariamente. O Centro foi inaugurado em 2010 e oferece educação para jovens e adultos do 5º ao 8º ano do ensino fundamental e ensino médio.
A preocupação dos estudantes se deve à notícia, divulgada na semana passada, de que as atividades educativas da instituição seriam encerradas ainda este ano. Apesar do processo de cessação ter sido iniciado no fim do ano passado, somente agora os alunos teriam sido comunicados.
''Nem teve como a gente se programar. Eles estão fechando a escola sem fazer alarde e quem está perdendo com isso somos nós, que pagamos impostos, temos direito à educação e estamos perdendo mais uma escola'', desabafa a aluna do 8º do ensino fundamental, Rosimeire Valins Moraes, de 31 anos, moradora do Residencial Vista Bela (Zona Norte), que aproveitou a proximidade da escola com a creche do filho para retomar os estudos parados há anos.
''Vai ser um grande transtorno para mim, porque moro longe e não tem outra escola como essa perto da creche do meu filho. Achei uma falta de consideração da direção da escola não ter nos avisado'', argumenta Rosimeire, enfatizando a preocupação de que as séries cursadas, inclusive a deste ano, não tenha validade. ''A gente começou a ver que eles estavam tirando livros, aparelhos de televisão, vídeo e não estavam mais fazendo inscrições de novos alunos. Foi aí que suspeitamos o que estava acontecendo.''
Indignado com a falta de informação sobre o funcionamento da escola, o aluno do ensino médio Jair Domingues, de 67 anos, confirma o descaso da instituição com os alunos e se declara bastante desanimado em continuar os estudos. ''Depois de uma determinada idade, a gente tem um pouco de dificuldade de aprender, e mesmo assim a gente vem com todo empenho para aprender e agora fica sabendo que a escola vai fechar de repente. Eu fiquei muito chateado'', revela o aluno, que é morador do Conjunto Luiz de Sá (Zona Norte).
A falta de liberação dos certificados de conclusão do curso por parte da escola é outra reclamação entre os alunos que já concluíram o ensino médio este ano. Segundo estudantes entrevistados pela FOLHA, desde maio eles aguardam pelo documento, enquanto a direção da instituição argumenta que a demora seria consequência da falta de regularização dos documentos da escola.
''Sem o certificado de conclusão, a gente não consegue emprego. Resultado: estou desempregada desde maio, porque em todas as entrevistas pedem o diploma e eu não tenho'', relata a ex-aluna da escola Geane Souza Botino, de 33 anos. ''Ninguém está preocupado se essa desorganização está atrapalhando a vida dos alunos. A gente liga lá e ninguém é capaz de estipular um prazo para a entrega do documento. É revoltante tudo isso'', defende Geane, que a exemplo dos demais alunos, concedeu entrevista fora da escola, por determinação da direção.
Quebrando o silêncio entre os docentes, o professor substituto de matemática Dirceu dos Santos Brito, que há três meses leciona na escola, revela que as aulas funcionavam com quase nenhum tipo de estrutura necessária. Ele detalha que somente a lousa e o giz são disponibilizados aos professores. ''Se queremos utilizar algum outro recurso pedagógico, temos que trazer de casa ou comprar com nosso próprio dinheiro, porque a escola não fornece'', afirma.''É bem difícil trabalhar assim, temos feito o que podemos.''


