Cambé - Mães de alunos e professoras do Centro Educacional Renascer (CER), de Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina), reuniram-se ontem de manhã com o coordenador do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina, Jorge Custódio, para discutir possíveis providências em relação ao fechamento da escola. A instituição, que vinha trabalhando há 21 anos com a inclusão de crianças portadoras de necessidades especiais em seu quadro de alunos, decidiu fechar as portas na semana passada, depois que deixou de receber recursos da Secretaria Municipal de Educação.
Segundo a diretora da instituição, Sonia Serafim, 65 alunos, entre quatro e 24 anos, estavam matriculados. A maioria, segundo ela, são crianças e jovens que não se adaptaram às escolas convencionais, por problemas mentais ou emocionais. A CER vinha atendendo, inclusive, 12 alunos de Londrina. Destes, quatro recebem recursos repassados através da Secretaria Estadual da Criança. Um era mantido pela própria família e os outros atendidos gratuitamente.
Sonia explicou que as dificuldades financeiras da escola agravaram-se nos últimos dois anos. Todas as professoras estão com salários atrasados. ‘‘Tínhamos a esperança de conseguir recursos em nível estadual ou federal, mas não foi possível. Estamos agora pedindo a ajuda da comunidade e alertando as autoridades para a situação destas crianças, que não têm um local adequado para atendimento. Muitas tornam-se agressivas’’, disse a diretora.
As mães que participaram da reunião dizem não saber o que farão caso a escola não seja reaberta. Maria da Graça Stulzer, mãe de Carlos Eduardo, de 20 anos, é uma delas. O rapaz é portador de autismo infantil precoce, e sua idade mental, apesar de medir 1,84 m e pesar 125 kg, é de uma criança de três anos. ‘‘Meu filho passou por várias outras escolas, mas não se adaptou a nenhuma delas. Até 1996, quando foi para a Renascer, ele vivia alheio a tudo, e apenas recebia ordens. Agora ele já está interagindo com o mundo e aprendendo a conhecer limites’’, explica Maria da Graça.
O maior temor dela é a falta de instituições especializadas em casos como o do seu filho. ‘‘Ele tem um comportamento agressivo, e não há outra escola em Londrina que possa atendê-lo.’’
Outra mãe, Margarida Gérikas, conta que o filho Vinicius, de 13 anos, apresenta um nível de inteligência acima do normal, mas nunca se adaptou às escolas convencionais. O garoto recebeu vários diagnósticos, entre eles o da síndrome do pânico. Quando a família tentou mantê-lo em uma escola tradicional, ele começou a ter várias crises convulsivas ao dia.
Segundo o secretário municipal de Educação de Cambé, José Garcia Gonzales Neto, o repasse de recursos ao CER foram interrompidos depois de uma consulta à Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e ao artigo do provimento do Tribunal de Contas que regulamenta os recursos do Fundef. ‘‘Ambos dizem que a educação especial deve ser ofertada, preferencialmente, pela rede pública. As leis não excluem apoio técnico e financeiro do poder público, desde que a escola atenda exclusivamente crianças portadoras de deficiências, o que não é o caso da Renascer, que trabalha com a inclusão.’’
Gonzales Neto disse que, baseado na lei, deu parecer contrário à assinatura de convênio de apoio financeiro por parte da prefeitura.
Em Londrina, a secretária de Educação Magda Tuma, informou que não há projeto de criação de uma estrutura para atender crianças como as que frequentam o Renascer. ‘‘Nossa prioridade são os 115 alunos que já atendemos em salas de educação especial’’, disse.
Hoje, às 10 horas, mães, professoras do CER e representantes do CDH reúnem-se no Fórum com os promotores Leonildo de Souza Grota e Adriana Lino, de Cambé, para discutir o assunto. A expectativa é que o secretário de Educação do município, Gonzales Neto, também participe.

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