Fechamento de curso gera protesto
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terça-feira, 20 de novembro de 2001
Telma Elorza<Br>De Londrina 
Centenas de alunos, pais e professores da Escola Estadual Professora Maria do Rosário Castaldi, no Jardim Jamaica, zona oeste de Londrina, protestaram ontem contra o fechamento do ensino médio no colégio, anunciada há cerca de uma semana. Os manifestantes interromperam o trânsito na Avenida Arthur Thomas por cerca de uma hora e exigiram a manutenção do ensino médio e a volta do ensino de 5 a 8 séries, cancelado desde 1998. Uma comissão tentou negociar, ontem à tarde, com a chefe do Núcleo Regional de Educação, Sandra Regina do Amaral.
Segundo o vice-presidente da Associação de Pais e Mestres do Castaldi, Luiz Carlos de Oliveira, não foi feita uma comunicação oficial de que o ensino médio iria acabar. ''Mas recebemos um e-mail da Secretaria Estadual da Educação avisando que não poderiamos ofertar matrículas para a 1 série do ensino médio. Mas, fazendo isso, em dois anos acaba-se com o ensino médio na escola'', afirmou.
Segundo Oliveira, toda a comunidade atendida pela escola que compreende cerca de 20 bairros e uma população estimada de 30 mil pessoas está revoltada. ''Há quatro anos, o Castaldi atendia cerca de 1,8 mil alunos, da 5 série até o 3º colegial. Tentaram tranformar o colégio em um centro tecnológico para ensino profissionalizante, mas nunca saiu do papel. Hoje, são apenas 800 alunos, 750 no ensino médio e 50 no técnico'', reclamou.
De acordo com Luiz Oliveira, se a escola parar de oferecer, muitos alunos ficarão sem ter condições de estudar. ''Aqui, na região, só temos mais um colégio com ensino médio, que não tem estrutura para abrigar todos os que precisam. E qual vai ser a situação das crianças que não têm dinheiro para utilizar ônibus? Parece que o governo quer acabar com a educação no Paraná'', questionou.
Os alunos também estão revoltados com a situação. Segundo Diego Cortellet, 16 anos, diretor do grêmio estudantil do Castaldi, o cancelamento das matrículas é uma atitute arbitrária da Secretaria da Educação. ''Parece que querem acabar com o Castaldi, porque não vamos ter nem o ensino médio nem o Centro Tecnológico, que nunca saiu do papel'', afirmou.
A opinião do aluno foi confirmada pelo diretor da escola, Carlos Augusto Genez. Segundo ele, hoje o colégio trabalha com seis salas ociosas à noite e 12 salas vazias à tarde. ''Teríamos estrutura de oferecer quatro cursos técnicos, mais o ensino médio, sem problema algum'', garantiu.
As aulas de 5 a 8 série do ensino fundamental no Castaldi foram encerradas em 1998, com a promessa do governo que o colégio abrigaria um centro tecnológico com cursos técnicos e profissionalizantes. Passados quase quatros anos, apenas o curso de Eletrônica Industrial está sendo ofertado e, mesmo assim, sem que as adaptações de salas e equipamentos tenham sido concluídas. A expectativa era que, no início do próximo ano, pudessem ser oferecidos também os cursos de Eletromecânica, Gestão Empreendedora e Informática. Mas o colégio ainda não recebeu a aprovação do Conselho Estadual de Educação para a implantação.
Com a recusa das matrículas, deixarão de estudar no colégio oito turmas de 45 alunos cada.


