Fechamento de creche gera protesto
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quinta-feira, 02 de setembro de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
A falta de uma creche adequada à legislação para atender as crianças com até seis anos no Jardim Morumbi (Zona Leste de Londrina), resultou em uma discussão ontem, entre as mães e a secretária municipal de Educação, Carmem Lúcia Baccaro Sposti, na porta do gabinete no prefeito Nedson Micheleti (PT). As mães tentavam ser recebidas pelo prefeito para reclamar da falta de condições da nova creche, para onde as crianças foram transferidas depois que o Centro de Educação Infantil André Emílio Guergoleto, que funcionava há 11 anos na Associação Sociedade Amigos do Jardim Morumbi, foi interditada pelo Ministério Público em março deste ano após constatadas irregularidades. O grupo não conseguiu falar com o prefeito por falta de agendamento prévio. A reunião ficou marcada para a tarde de hoje.
Em março deste ano, o promotor da Vara da Infância e Juventude, Tiago de Oliveira Gerardi, determinou o fechamento do Centro de Educação InfantilAndré Emílio Guergoleto, depois que a secretaria municipal de Educação denunciou que a creche estaria em ''total falta de condições de funcionamento'' e não cumpria a legislação. O promotor determinou ainda a interrupção do repasse de verbas.
Segundo a secretária, o creche atual não possui alvará e que ''pode ser considerada clandestina''. Mesmo assim, segundo ela, o Município continuaria disponibilizando recursos até a total transferência das crianças. Carmem afirmou que, após a decisão do MP e diante da falta de recursos públicos para construir uma nova creche, chegou a um acordo com a Associação de Mulheres do Jardim Santiago para que as crianças fossem transferidas para uma outra casa. O problema é que o espaço é pequeno e não teria condições de abrigar as mais de 80 crianças que frequentam a creche irregular.
Uma das participantes da manifestação, Izabel Alves Cruz, reclamou que ninguém foi consultado previamente sobre a mudança. Ela disse que a saída oferecida pela secretaria de manter as crianças maiores de seis anos onde estão até o final do ano e transferir as menores para a nova creche também não agrada. ''As mães vão ter que ficar fazendo via sacra de um lugar para outro?'', questionou.
O presidente da associação do Jardim Morumbi, Manoel dos Santos Portugal, alegou que parte das exigências feitas pelo MP foram cumpridas. Faltaria apenas construir banheiros infantis para os meninos e meninas mas não dispõe de verbas. Por isso, não consegue obter o alvará da vigilância sanitária.
A coordenadora da nova creche, Izaura Benedita Alves Dalgizo, evitou comentar o impasse. Ela disse apenas que ''mesmo que o espaço seja apertado, todo ele será usado de forma pedagógica''. ''Não vai ser apenas um depósito de crianças'', garantiu. O município vai ajudar com cerca de R$ 4 mil mensais mas o dinheiro não é suficiente e a creche, antecipou Izaura, terá que contar com doações.


