Fechamento de CEIs agrava falta de vagas
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quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Lucio Flávio Cruz <br> Reportagem Local 
A falta de vagas nos Centros de Educação Infantil é um problema recorrente em Londrina. A dificuldade para os pais encontrarem locais para deixarem seus filhos se agravou ainda mais com o fechamento dos CEIs Vivendo e Aprendendo e Pequeno Príncipe. Pelos menos 140 crianças ficaram sem vagas. Os dois locais estão sem funcionar há mais de dois meses em virtude da greve dos professores, que estão sem receber salário.
O Centro de Educação Vivendo e Aprendendo, localizado no Conjunto Ernani Moura Lima (Zona Leste), fechou as portas no dia 10 de junho e deixou de atender 82 crianças. Os nove professores e as cinco funcionárias não recebem os salários desde abril.
'Um dia temos que deixar ela na casa de uma filha, no outro na casa de um vizinho, um amigo, um conhecido. É uma dificuldade muito grande'', desabafa a auxiliar de serviços gerais Neuza Mota Soares, que mora com duas filhas e duas netas: Kemilly, de 2 anos, e Vitória, de 4. A mais nova frequentava a Vivendo e Aprendendo havia mais de um ano.
A Associação dos Artesãos de Londrina (Aluarte), mantenedora do Vivendo e Aprendendo, teve as contas de 2010 e 2011 reprovadas pela Procuradoria do Município. E como não conseguiu regularizar a documentação, não recebeu mais os repasses. O Fundo de Garantia dos funcionários não é recolhido desde maio de 2011. A dívida passa dos R$ 80 mil.
''Trabalhei durante 23 anos na instituição e nunca passei por uma situação como esta. Estou aguardando agora dar baixa na carteira para procurar outro trabalho. Por enquanto estou parada'', reclama Sonia Aparecida Souza, que mora em frente à CEI e diariamente recebe mães na porta de casa falando das dificuldades para encontrar lugar para deixar os filhos.
Para tentar resolver o problema foi designado um interventor, que nomeou o Serviço de Ação Social da Igreja do Evagelho Quadrangular como nova mantenedora. A associação vai solicitar um convênio com a Secretaria de Educação para poder reabrir a escola. A grande dificuldade é que ninguém quer assumir o Centro de Educação e herdar as dívidas passadas.
O Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Londrina e Região (Sinpro) defende que a nova mantenedora não pode arcar com as antigas dívidas. ''Vamos fazer um acordo coletivo com os professores, a nova associação que vai administrar e o Ministério Público do Trabalho (MPT) para garantir que não vai haver uma sucessão das dívidas. Serão feitos novos contratos de trabalho com os professores'', informou Diego Mendes de Carvalho, diretor do Sinpro.
A situação do Pequeno Príncipe, no Parque Ouro Verde (Zona Norte), também é preocupante. A Associação Beneficente Amor e Paz deixou de pagar os salários dos quatro professores e de quatro funcionários que entraram em greve no dia 25 de julho. Mais de 65 crianças ficaram sem atendimento. A entidade deixou de recolher uma guia do INSS no valor de R$ 7 mil e ficou sem os repasses por parte do município. Não há previsão para que a situação seja resolvida nem para a reabertura do CEI. Hoje a dívida chega aos R$ 15 mil.
O pintor Antônio Carlos de Jesus é pai de Gabriel, de 4 anos, e também ficou sem ter onde deixar o menino. ''Como a minha mulher está desempregada ela está ficando com ele. Mas e quando ela arrumar um novo trabalho? Como vamos fazer?'', indaga o morador do Parque Ouro Verde.
A Secretaria Municipal de Educação reconhece que faltam opções de outras CEIs nas proximidades das duas instituições que estão fechadas, mas informa que procura oferecer vagas em outros Centros de Educação, mesmo distantes das residências. ''Todos os pais que nos procuraram nós indicamos outras opções e muitas crianças já estão matriculadas. Algumas foram orientadas a fazerem cadastro e aguardam a abertura de novas vagas'', informou Simone Magrinelli, gerente de Gestão Escolar da Secretaria de Educação.


