Febre é alerta para dengue em crianças
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quinta-feira, 02 de abril de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Por determinação do Ministério da Saúde todas as notificações de dengue devem ser feitas em pacientes com febre acompanhada de outros sintomas. No ano passado, porém, as secretarias de saúde de Londrina e de outros municípios brasileiros resolveram eliminar a necessidade de sintomas complementares em crianças febris e, com isso, o número de notificações cresceu nas cidades.
Em Londrina, em todo o ano passado, foram registrados 151 casos de dengue. No primeiro trimestre deste ano já foram confirmados 40 casos da doença, quase o dobro do número de ocorrências no mesmo período de 2008, quando foram registrados 21 casos. O número de notificações também foi maior nos primeiros três meses do ano: 1,4 mil. Destas, 542 foram descartadas e outras 818 estão sob análise, de acordo com relatório apresentado pela Secretaria de Saúde anteontem.
Conforme a diretora de Epidemiologia do Município, Sônia Fernandes, os critérios de notificação de casos de dengue ficaram nenos rigorosos. ''Existe uma notificação padrão do Ministério da Saúde que não se adapta às crianças, pois os pequenos nem sempre apresentam o quadro característico de sintomas da dengue. Por isso, todos os casos de crianças com febre, sem outro diagnóstico definido, devem ser identificados e conduzidos como suspeitas de dengue'', justificou.
Qualquer unidade do serviço de saúde, seja posto de saúde, pronto atendimento, hospital ou até uma clínica particular, deve enviar uma notificação ao Setor de Epidemiologia, responsável por encaminhar a suspeita à Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência do paciente, para que seja feito acompanhamento.
Após a coleta da sorologia, um exame de sangue feito a partir do sexto dia desde o início dos sintomas, o tempo médio de confirmação de um diagnóstico positivo da doença não deve exceder dez dias. Segundo Sônia, a sorologia consiste em procurar o anticorpo imunoglobulina M (Igm) no organismo do paciente e é realizada de acordo com as agendas dos postos de saúde, que podem ofertar coletas diárias ou até três vezes por semana, conforme o tamanho da UBS.
Ainda de acordo com a diretora, a margem de erro do exame é muito pequena no caso de um resultado positivo. ''Não se espera para tratar a dengue e como a doença não tem um tratamento específico, a medicação age sempre nos sintomas e é recomendada a hidratação do paciente como prevenção da febre hemorrágica, que no adulto pode acontecer entre o quarto e o quinto dia de repetição dos sintomas'', explicou.
''Como o tratamento é paliativo, a Saúde prefere notificar mais casos para ser conduzidos como dengue. E não existe nenhum risco adicional ao paciente que recebeu os medicamentos, mesmo que depois fique confirmado que ele não tinha a doença'', completou Sônia.
Ela lembrou que a Secretaria realizou a capacitação dos profissionais da Saúde, no ano passado, quanto à mudança nos critérios de notificação da dengue. ''Também temos feito vários alertas à população e adotamos a aplicação de multas. Temos feito o possível para evitar a propagação do mosquito, mas nenhuma ação da Saúde vai surtir efeito sem o auxílio da comunidade.''


