Foi-se o tempo em que posto de combustíveis era somente um lugar onde se ia para encher o tanque do carro. De uns anos para cá, além das lojas de conveniência que vendem de tudo, estes estabelecimentos também passaram a atrair uma clientela interessada em outro tipo de produto: os espetinhos. Preocupado com o risco que esse tipo de atividade oferece, principalmente nos postos, o Ministério Público em Londrina pediu explicações à prefeitura e ao Corpo de Bombeiros, mas não obteve respostas.
O assunto voltou à tona na última sexta-feira, quando dois frentistas de um posto da Zona Sul ficaram feridos depois de uma explosão: um deles teve todo o corpo queimado e não resistiu aos ferimentos; o colega dele sofreu queimaduras em 60% do corpo e segue internado no Hospital Evangélico. O posto não comercializa espetinhos e o acidente aconteceu quando os funcionários retiravam combustível do tanque de um veículo e os gases liberados chegaram até um fogareiro, mas o fato serviu para lembrar que postos de combustíveis são ambientes de alto risco.
Na área central ou nos bairros, encontrar um posto que comercialize espetinhos é fácil. Um dos mais tradicionais fica na avenida Celso Garcia Cid (centro), onde o proprietário do ponto de comércio de espetinho, Nilson de Lima, concordou que ''o risco sempre existe'' mas observou que tem alvará da Prefeitura, da Vigilância Sanitária e foi liberado pelos Bombeiros. ''Quando fui abrir, tive que colocar a churrasqueira fora do terreno do posto e longe das bombas'', reforçou Lima, que vende de 400 a 600 espetinhos por dia - das 18h às 23h - e dá emprego para cinco pessoas. Clientes fumantes têm acesso livre a qualquer uma das 33 mesas.
Pessoas fumando na área do posto ou usando o telefone celular em mesas próximas das bombas, aliás, são cenas que se repetem em quase todos os estabelecimentos que vendem churrasquinhos. ''Tem gente que está errado, sim'', concordou um comerciante de espetinhos em um posto da Zona Oeste, sem se identificar. ''Acho que tem que ser feita alguma coisa antes que aconteça uma tragédia'', pediu. Outra comerciante que atua na Zona Sul e também pediu anonimato, revelou que trabalha sem alvará. Ela mostrou que dispôs as mesas a mais de 10 metros das bombas e instalou a churrasqueira bem longe das ilhas de abastecimento. Na Zona Leste, um comerciante retirou as mesas para evitar riscos e também mantém um extintor próximo à churrasqueira. ''Tentei tirar o alvará, não forneceram mas garantiram que eu poderia trabalhar'', confidenciou.
A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentin, criticou a falta de retorno do pedido de informações sobre os riscos envolvidos na atividade que ela fez à Prefeitura e ao Corpo de Bombeiros há alguns meses. ''O que se comprova é que esses locais são perigosos e as pessoas estão brincando'', comentou, lembrando que todos ficam expostos em caso de acidente. ''O acúmulo de gente pode fazer aumentar o número de vítimas'', alertou. A promotora também criticou a falta de fiscalização.

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