Símbolo de atitude marginal e de rebeldia no passado, a tatuagem hoje caiu no gosto popular e no verão o movimento nos estúdios cresce na mesma proporção que a temperatura. Em Londrina, alguns dos profissionais mais conceituados têm agenda lotada e a espera pode chegar a até 10 dias. E além do modismo, os mitos que cercam a arte de desenhar na própria pele também contribuem para manter a procura em alta. Mas aderir à tatuagem é estar disposto a enfrentar um pouco de preconceito que ainda persiste, muito embora essa ''decoração'' do corpo tenha ganhado contornos mais sedutores.
Muitos podem ser os motivos que fazem os estúdios ficarem lotados no verão mas todos eles têm relação com a estética e com a maior exposição do corpo na estação mais sensual do calendário tropical. Os tatuados ainda causam estranhamento e sofrem com o preconceito mas a tatuagem que antes segregava agora também serve para unir, inclusive, famílias. Nas acadêmias, nos clubes e na rua não é nada difícil encontrar alguém exibindo a pele tatuada.
A universitária Aneri Pistolato, 22 anos, tem duas ''tattoos'' e decidiu fazê-las quando deixou a casa dos pais para não ter aborrecimento. Ela concorda com a tese de atração provocada pela tatuagem. ''As pessoas ficam curiosas e talvez isso pode contribuir em alguma paquera'', revela. O também universitário Guilherme Pedriali, 21 anos, é outro que se soma à tese de que os desenhos na pele são atraentes. ''Tem gente que gosta e gente que não gosta. Costumo olhar e acho legal se a garota tem'', admite o rapaz, que optou por tatuar um grande dragão nas costas por ser mais fácil de esconder.
O mergulhador de Londrina C.B., 27 anos, fala abertamente sobre as sete tatuagens que tem nos braços, tórax e costas, mas prefere não se identificar para não dar um ''susto'' na mãe, que não sabe da ousadia do filho. ''A primeira tattoo não sei dizer porque fiz mas sempre gostei porque acho que deixa o corpo mais sexy'', diz. O rapaz alerta, porém, para os cuidados. Por causa da paixão pelo mergulho, já teve problemas de cicatrização com uma tatuagem que por sorte não lhe causou danos à pele. Para evitar surpresas desagradáveis, ele sempre confiou a execução do trabalho ao amigo Eduardo Berbel.
No mercado de ''tattoos'' desde 1993, o tatuador revela que sua clientela é bastante diversificada: são homens e mulheres jovens, com ou sem tatuagem, e até senhoras. E ele comenta que a arte também tem seus modismos. Estrelas e borboletas, principalmente entre as mulheres, são os desenhos mais executados. ''Tatuagem é meio viciante e todo mundo que fez acaba fazendo outras. A mídia também a ajudar a manter o mercado em alta'', comenta. Outro mito bastante difundido é o de que dá azar ter tatuagens em número par.
Colega de profissão, o tatuador Kharis Amon é outro que comemora a boa fase. Na ativa há 10 anos, cliente seu que precisa de sessões mais longas, de cerca de duas horas, tem que esperar até 10 dias para ser atendido. Ele também aponta: 60% da clientela é de gente tatuada, muitas em busca de soluções para tatuagens que não deram muito certo ou que perderam seu significado, como nomes de pessoas ou personagens de desenho animado. ''Cubro qualquer desenho. Houve um empobrecimento técnico dos estúdios e acredito que deveria haver algum tipo de certificado que classificasse o trabalho do tatuador'', analisa.

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