O olho d'água São João Maria, um local destinado a orações perto do centro de Ponta Grossa, está com sua água contaminada e ainda assim, dezenas de pessoas procuram o local diariamente para beber a água que acreditam ser milagrosa.
A contaminação foi comprovada por análises feitas na água por professores e alunos da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). O professor Alberto Kloth conta que numa escala de 0 a 240, a água coletada no local já chegou a ter o máximo de contaminação, 240 coliformes fecais por 100 mililitros de água. ''Isso significa que têm esgoto caindo direto no lençol que forma a fonte de água'', explica.
Bebendo a água que corre pelo local, os fiéis podem adquirir doenças como hepatite, disenteria e até mesmo tifo. Porém, as pessoas não acreditam nessa possibilidade. ''Conheço o local há 18 anos e nunca tive uma dor de barriga'', diz Adenilson Santos. Sua esposa, Adriana, chegou a beber a água durante a gravidez porque corria risco de perder o bebê.
A presença de crianças no local também é constante. Letícia Gonçalves da Rosa, 12 anos, diz que bebe água diariamente no local e leva para sua avó tomar em casa. ''Se essa água fosse contaminada a gente já estava morto'', diz a garota.
O professor Kloth diz que como a questão religiosa dificilmente será deixada de lado para preservação da saúde, a solução é buscar alternativas para reduzir a contaminação. Por isso, sua equipe está fazendo um levantamento sócio-econômico da região para ver quantas famílias têm condições de construir fossas sépticas. Para quem não tiver condições financeiras, o professor pretende pedir ajuda à prefeitura. Isso porque, os pesquisadores constaram que em épocas de seca na região o índice de contaminação praticamente zera, já que sem a água da chuva, o esgoto não chega a atingir o lençol freático que forma o olho d'água.
João Maria, a quem as pessoas atribuem milagres, foi um monge que andava pela região no final do século XIX. Certa vez, ao ser apedrejado por crianças nas ruas de Ponta Grossa, ele rogou uma praga dizendo que as pedras voltariam multiplicadas sobre a cidade. Historiadores dizem que a profecia se concretizou em 1911, quando uma chuva de granizo destruiu boa parte da cidade. Desde então, João Maria passou a ser cultuado.

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