Enquanto as pesquisas apontam para o crescimento da diversidade religiosa - e católicos e evangélicos discursam a favor do diálogo e do ecumenismo entre denominações cristãs -, adeptos de crenças não cristãs ainda sofrem com o preconceito no Brasil. A discriminação é grande, por exemplo, com relação a candomblecistas e umbandistas que, juntos, representam as chamadas religiões afro-brasileiras.
''O candomblé é uma religião de negros e, como tudo relacionado à população negra, é alvo de preconceito'', denuncia a candomblecista Vilma Santos de Oliveira, também conhecida como Mãe Mukumbi. Aos 61 anos e responsável por um terreiro há mais de quatro décadas, ela afirma que apesar de todas as informações disponíveis e da lei que garante a liberdade religiosa no País, os adpetos das denominações afro ainda recebem ''olhares atravessados''.
A estratégia de Vilma para combater o problema é incentivar o debate.''Hoje, tenho meu discurso, me imponho e não aceito a discriminação'', diz ela, cujos filhos e netos já tiveram de lidar com preconceito inclusive na escola.
''Minha netinha, quando tinha três anos, costumava contar na creche sobre o candomblé. Por conta disso, a professora começou a catequisá-la'', recorda. Bem resolvida com a própria religião, a garota não se influenciou. ''Para mim, foi apenas uma oportunidade para ela entender a diversidade religiosa'', filosofa a mãe de santo.
Mesmo com toda a desinformação à respeito das religiões de raiz africana, mãe Mukumbi acredita que o interesse por estas denominações é crescente em Londrina. ''As pessoas, principalmente as mais intelectualizadas, têm muita curiosidade. Recebo a todos, mas inicio pouca gente na prática, porque considero religião coisa muito séria.''
Ela atribui o crescimento, também, ao desenvolvimento de políticas públicas consistentes de incentivo à diversidade cultural. ''O candomblé é uma religião de resistência que chegou junto com o povo negro, que construiu esse País, e sobrevive há 500 anos. Infelizmente, muitas casas ainda são informais. Defendo que os candomblecistas se assumam, visto que a prática é um direito constitucional.''
Mestre Griô em programa do Ministério da Cultura, Vilma difunde a cultura negra em escolas de Londrina, em projeto que visa atender a Lei 10.639, que obriga as instituições de ensino a trabalharem o tema com os alunos. ''Quando o governo dá atenção especial à cultura negra e promulga leis que proíbem o preconceito, o assunto pode ser discutido'', defende.

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