Fé e crise unem agricultores
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Erica Shimamura<br> Reportagem Local 
Padroeiro da agropecuária, São Sebastião foi homenageado ontem por quase 900 cavaleiros e amazonas durante a Cavalgada de Jaguapitã (46 km ao Norte de Londrina), que atraiu comitivas de várias cidades da região em busca de lazer e proteção para suas atividades de trabalho na pecuária e na agricultura. Nem mesmo as fortes chuvas do sábado atrapalharam a participação dos cavaleiros.
O evento deste ano chegou à sua 12 edição e parece ter se consagrado entre os amantes de cavalgadas. O engenheiro agrônomo Ademar Iácono, que mora em Rolândia e é proprietário de terras em Jaguapitã, conta que a festa tem também caráter religioso, lembrando que a missa celebrada no início do evento e a bênção dos padres ao final da procissão ajudam a renovar as esperanças dos agricultores. ''Apesar de as perdas com a estiagem não terem sido muito significativas no município, acredito que a festa dá esperanças para todo mundo'', reflete.
O pecuarista Adelino Ignoti participa da cavalgada em Jaguapitã há oito anos com a comitiva Pantaneira, a qual ajudou a fundar em Centenário do Sul. Aos 75 anos de idade, e muito requisitado em cavalgadas e missas para tocar o berrante, ele relata que sua presença na festa significou um ato de agradecimento pelas chuvas do sábado. Ele é dono de uma área agrícola onde cuida de gado leiteiro e administra um ''criame'' de burros para reprodução.
''Com a seca dos últimos meses, a pastagem ficou ruim, e tive de gastar mais com ração para o gado. Agora, graças a Deus, a chuva veio em boa hora, e não precisarei mais gastar com isso.''
Ao contrário da maioria dos participantes, Ignoti estava montado em uma mula, apelidada de ''Bailarina'' por ele mesmo. ''Prefiro a mula, pois é um animal de confiança, melhor do que o cavalo; é o mesmo que estar em um carro zero quilômetro'', compara.
De Sabáudia vieram Gislaine Viana Rodrigues e Thauã Fernando Ferrante, de 11 anos, junto da comitiva Cavaleiros do Rancho. O garoto conta que fez todo o percurso de sua cidade até Jaguapitã a cavalo, e que para completar a façanha, teve de sair de casa às 2h40 para não perder a missa. Tanto esforço não pareceram incomodar ou cansar o jovem cavaleiro. ''Não pegamos chuva, só um pouco de sereno.''
A cavalgada em Jaguapitã foi aberta às 10h com uma missa celebrada pelos padres Constantino Borg e Pedro, na chácara de Milton Stringhini. Durante a procissão foram percorridas ruas e avenidas do centro da cidade, com quatro charroças à frente dos cavaleiros, liderada pela que carregava a imagem de São Sebastião.
O evento chamou a atenção de moradores por onde passou, agitando o domingo em Jaguapitã, cidade de 13 mil habitantes. Já ao final da procissão, em frente à Igreja Matriz, os padres subiram em uma caminhonete para abençoar todos os cavaleiros e amazonas. Pequenos folhetos com dizeres de orações às plantações, sementes e animais foram distribuídos.
A moradora de Jaguapitã e agropecuarista Neide Falavinha Botolassi aproveitou a chance para pedir mais uma vez proteção aos animais que cria e às lavouras. Ela levou ao local uma sacola contendo sal, para receber bênção dos padres.
''Tenho sítio com gado de corte. Venho aqui há seis anos benzer e pedir proteção, pois sou devota de São Sebastião'', relata. ''No ano passado trouxe sementes de milho e soja e até meu cachorrinho.''


