Fazendo as pazes com a balança
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segunda-feira, 27 de abril de 2015
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Ibiporã Dieta. A palavra não é sempre bem-vinda e combina com o dia da semana mais rejeitado pela maioria: segunda-feira. Na manhã de ontem, 24 moradoras de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) deixaram de lado o conforto do lar, a cama quentinha e todos os outros afazeres para dar início ao "Desafio dos 100 dias", promovido pela rede municipal de Saúde. Apenas mulheres se interessaram pela proposta que disponibiliza consultas gratuitas com fisioterapeuta, nutricionista, psicóloga, cardiologista, além de sessões de acupuntura e acompanhamento de um professor de educação física.
O primeiro encontro revelou medos e expectativas para os próximos 99 dias e as participantes se surpreenderam ao descobrir que os desafios não serão os mesmos para todas. A microempresária Andréia Maria dos Santos, por exemplo, depende da venda de docinhos, bolos e tortas para reforçar a renda familiar. "A gente só vende o que gosta. Eu preciso experimentar", confessou, justificando que é preciso fazer o controle de qualidade. Até o início de agosto, Andréia estará frente a frente, todos os dias, com o principal inimigo: o brigadeiro. "O pão quentinho da padaria... também vai ser difícil resistir. Eu faço atividade física de vez em quando. Caminhar até caminho. Na verdade, a gente caminha mais é de carro mesmo", admitiu.
Acima do peso aos 35 anos, a microempresária está em busca de qualidade de vida, mas ainda não luta contra problemas de saúde como a dona de casa Maria Aparecida Rodrigues, outra participante do grupo. Diabetes, colesterol alto e gordura no fígado a assustaram nos últimos anos. Maria Aparecida tem 65 anos e foi obrigada a restringir a alimentação. "Já nem como chocolate. Acho que fazer atividade física vai ser muito complicado. Tenho muita dor nas pernas", explicou.
O desafio reúne mulheres entre 20 e 65 anos e é promovido desde 2010 pela rede municipal de Saúde de Ibiporã. Mais de 100 pessoas já foram beneficiadas. "O grande problema é que elas querem emagrecer rápido. É o que a mídia propõe. Com isso, o que é mais importante, como a qualidade de vida e a melhora nos exames, acaba ficando em segundo plano", afirmou o cardiologista Cassiano Gil, um dos profissionais envolvidos no projeto.
A intenção da equipe é transformar as orientações semanais em aprendizado para a vida toda. A nutricionista Ruth Watanabe reforçou que é preciso esforço e dedicação para que os novos hábitos alimentares sejam adotados no dia a dia. "O mais difícil para elas é esse processo. A atividade física é feita na hora, na presença do professor. Já a mudança na alimentação depende da prática longe do olhar profissional", destacou.
Nos últimos anos, nem todos os participantes conseguiram persistir até o fim. "O índice de desistência é grande. O desafio é físico e emocional. O metabolismo de cada um e outras características interferem no desempenho. No ano passado, por exemplo, tivemos 23 inscritos. No primeiro encontro vieram 16 pessoas. No segundo dia só 11 continuaram. Terminamos o desafio com oito participantes. É preciso muita determinação. Todos são capazes de mudar", contou o professor de educação física Igor Adriano Carvalho. O "Desafio dos 100 dias" termina no início de agosto. Não há premiação para os melhores desempenhos. O objetivo é que os participantes continuem a seguir o programa em casa, mesmo após a finalização do projeto.


