Alexandre Sanches
De Londrina
Adrelina descarregada no sangue a cada looping e cabeça fria para colocar a habilidade à prova fazem parte de uma rotina na vida dos pilotos da Esquadrilha da Fumaça, que mais uma vez estiveram em Londrina no último dia 16, no encerramento da 40ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Eles aproveitaram a tarde de sol forte do domingo e voaram a 400 quilômetros por hora, fazendo acrobacias no ar com as suas aeronaves Tucano T-27.
Oficialmente denominado Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), a Esquadrilha da Fumaça se deu ao luxo de apresentar algumas acrobacias exclusivas, feitas somente pelos membros do EDA. Não é por menos que esquadrilha brasileira está entre as melhores do mundo, inclusive com uma das manobras feitas em formação, no ano de 1996, ter batido o recorde mundial e entrado para o The Guinness Book of Records, o livro dos recordes.
Tidos como pilotos integrantes de uma elite da aviação militar brasileira, os ‘‘fumaceiros’’, como preferem ser chamados, dizem que são o retrato do que é a Força Aérea Brasileira (FAB). ‘‘Aqui todos demonstram as suas habilidades como pilotos militares. Ninguém é melhor que o outro’’, sintetiza o capitão José Aguinaldo de Moura.
Junto com o capitão José Roberto de Oliveira, Moura encontrou na manhã do dia 16 alguns minutos para falar sobre a rotina dos ‘‘fumaceiros’’. Segundo ele, não é qualquer piloto que pode fazer parte do EDA. Um dos requisitos técnicos é ser piloto militar e ter pelo menos 1.500 horas de vôo, das quais 800 devem ser de instrução.
O candidato deve ser um voluntário. ‘‘O tempo de permanência máxima do piloto na Esquadrilha da Fumaça é de quatro anos. Por este motivo, todos os anos há uma reciclagem de um a três pilotos na equipe’’, informa o capitão. Já o tempo mínimo para um piloto ingressar no EDA é de cinco anos após formado pela Academia da Força Aérea, com sede em Pirassununga (SP).
A FAB possui somente um Esquadrão de Demonstração Aérea, composto por 10 pilotos. Cada um deles tem uma posição específica nas formações aéreas. ‘‘Como as acrobacias são estudadas minuciosamente, há a necessidade de cada piloto ser único em sua formação, evitando desta forma que ele faça confusões durante a apresentação’’, explica Oliveira. Somente oito pilotos participam das apresentações: um no solo, narrando para o público as acrobacias, e sete voando. Os outros dois pilotos são para revezamentos no grupo, permitindo descansos nos finais de semana. A rotina dos ‘‘fumaceiros’’ é muito concorrida, com uma média de 90 apresentações por ano.
Integram o EDA os oficiais Otto Uwe Voget (comandante do esquadrão), Ricardo Reis Tavares (piloto de ataque), Alberto das Neves Neto (piloto de ataque), José Aguinaldo de Moura (piloto de transporte), José Roberto de Oliveira (piloto de ataque), Alberto Jacintho Lozz (piloto de caça), Ricardo de Lima e Souza (piloto de caça), Wagner de Almeida Esteves (piloto de reconhecimento), Luiz Gustavo Martins Couto (piloto de caça) e Marcelo Gobett Cardoso (piloto de helicóptero).Destreza e experiência no ar são requisitos básicos dos pilotos militares que integram a Esquadrilha da Fumaça
Paulo WolfgangESPETÁCULO DIFERENCIADOCom os Tucano T-27, a Esquadrilha da Fumaça brasileira está entre as melhores do mundo e inclui em suas apresentações acrobacias exclusivasMilton DóriaCada aeronave tem um mecânico próprio para a sua manutençãoMilton DóriaO preparo do piloto, minutos antes de mais uma apresentaçãoMilton DóriaPronto para voar, máquina e homem fazem manobras na pista do aeroporto para mais um espetáculo no céuMilton DóriaO painel de um Tucano T-27: instrumentos utilizados com perícia pelos pilotos da Esquadrilha da Fumaça

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