Fazendinha estimula bóias-frias
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terça-feira, 08 de abril de 1997
Edmara Michetti 
Milton DóriaAnimadosManoel de Souza e Carmelita Nascimento: decisão de plantar café adensado, depois do que viram na Fazendinha da Sociedade Rural O bóia-fria Manoel Ezidoro de Souza, 56 anos, e sua mulher, Carmelita Maria Nascimento, 49, também bóia-fria, estão animados com a possibilidade de iniciar uma pequena plantação de café adensado. Vindos de Guaraci, Norte do Estado, eles fazem parte de um grupo de 400 trabalhadores volantes rurais, de 250 famílias, que visitou ontem a Via Rural, mais conhecida com Fazendinha, instalada na 37ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Em junho essas famílias, de seis municípios da região, receberão uma casa e um terreno de 5 mil metros quadrados, pelo programa estadual Vila Rural. Seguindo o exemplo de Souza, a maioria decidiu plantar café adensado, empolgada com o que viu na Fazendinha.
O chefe regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Ademir Antonio Rodrigues, que acompanhou o grupo, afirma que o café adensado atraiu a atenção dos bóias-frias devido à experiência que eles já têm em plantar e colher café. A intenção da visita à Fazendinha foi a de apresentar alternativas de culturas e criações aos futuros moradores das Vilas Rurais para a plantação de outras culturas, além do arroz, feijão, milho e mandioca e criação de galinhas. Entre as outras atividades visitadas pelos bóias-frias, a criação de codornas também chamou a atenção.
O café é mais fácil de lidar. Nasci no meio dele e entendo um pouco, desde o plantio até a colheita, justifica Souza. E, depois, o terreno é pouco; para o algodão, por exemplo, não funciona. Ele calcula ter trabalhado uns 30 anos em lavouras de café. Mas esse café adensado, plantação nova é uma beleza. Ele pretende ocupar toda a área de 5 mil metros quadrados de sua futura moradia com o café.
Enquanto a plantação estiver pequena, Souza vai aproveitar as ruas para plantar feijão, amendoim, batata, verduras ou arroz. Estou acreditando nisso. Estou jogando tudo nisso, diz. A mulher, Carmelita, vai ajudar na lida. A terra é nossa paixão. A família ainda tem um neto de 12 anos que sempre viveu com o casal. O dinheiro para a compra das mudas do café já está reservado, segundo Souza. Acho que vai dar para plantar uns dois mil pés, para começar. Segundo o chefe da Emater, nessa área é possível se chegar a 3,5 mil pés, dependendo do espaçamento. Atualmente, Souza, que ainda trabalha como bóia-fria, cuida de uma chácara e tira o leite de 10 vacas em troca de casa, água e luz. Além disso, ele mantém mil pés de café plantados num terreno arrendado, cuja produção ele divide com o proprietário.
O chefe da Emater afirma que a intenção do programa Vila Rural é respeitar os conhecimentos de cada morador, sem impor que tipo de cultivo devem fazer no seu terreno. Não podemos exigir que conheçam fruticultura, plantação de pêssego, que exige alta tecnologia, diz Ademir Rodrigues. Assim que os moradores estiverem instalados, a Emater deverá, segundo Rodrigues, disponibilizar cursos voltados à agropecuária para atender o interesse dos moradores de cada Vila Rural. O objetivo do programa, implantado pelo Governo do Estado há um ano, é propiciar condições para que cada família garanta sua subsistência e ainda possa vender o excendente da produção.
Como, segundo Rodrigues, não se imagina que eles tenham rendas extraordinárias, muitos terão que continuar trabalhando como bóias-frias. Por isso está sendo usada bastante a potencialidade de toda a família. Cada terreno terá uma casa de 44 metros quadrados financiada pela Cohapar. Para o começo das lavouras, os trabalhadores receberão subsídios do Governo. Além das seis Vilas Rurais a serem entregues esse ano, outras 17 estão em projetos e três em estudos de viabilidade para Londrina. Cada Vila Rural, dependendo da extensão do terreno, cedido pela Prefeitura, pode ter em média 60 famílias.


