Mais de 300 proprietários rurais da região de Guarapuava estão formando um grupo especial para prevenir possíveis invasões de terras e sensibilizar o governo do Estado sobre o problema.
O presidente do Sindicato Rural de Guarapuava, Valdomiro Kava, afirma que a ‘‘milícia’’ será bancada pelos produtores com o objetivo de preservar e manter o patrimônio, evitando também roubos e assaltos comuns na área rural. ‘‘Se cada agropecuarista contribuir com meio homem, teremos cerca de 150 pessoas defendendo as áreas de terra com iminência de serem invadidas’’, disse.
Segundo Kava, o grupo não terá identidade e defenderá as propriedades que estiverem sendo ameaçadas de sofrer a invasão, desde que o proprietário tenha contribuído para contratação dos seguranças. ‘‘Há empresas especializadas neste tipo de serviço e que trabalham de acordo com o pedido do cliente’’, afirmou. ‘‘Se surgir alguma ameaça de confronto entre o grupo e os sem-terra, haverá uma comisão que decidirá de que forma agir’’, garantiu.
Para o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que só quis se identificar por Cardoso, a contratação de seguranças por parte dos fazendeiros não vai intimidar a ação dos sem-terra. ‘‘Estamos organizados e vamos resistir a todo tipo de pressão’’, disse. ‘‘Só sabemos da formação deste grupo através dos jornais, mas, se for preciso, estaremos com as foices preparadas para cortar algo mais’’, alertou.
RegiãoNa região de Guarapuava, há três fazendas invadidas que já foram declaradas produtivas, com ordens de reintegração de posse decretadas e ainda não cumpridas. ‘‘Não podemos permitir que isto continue’’, diz Valdomiro Kava.
Segundo o major Dieter Weege, comandante do 16º Batalhão de Polícia Militar de Guarapuava, a formação de uma milícia armada é ilegal. Mas ele diz que não vê nada de mais se os produtores estão contratando seguranças para as propriedades. ‘‘A segurança patrimonial é um direito assegurado’’, afirma.
Os produtores da região deverão realizar uma marcha até Curitiba em março. ‘‘Deveremos levar caminhões, tratores, colheitadeiras para a frente do Palácio Iguaçu’’, disse Kava.

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