A desocupação da Fazenda Saudade, em Santa Isabel do Ivaí (Noroeste do Estado), na terça-feira, mostrou que os fazendeiros estão organizados para fazer a reintegração de posse das áreas invadidas pelos sem-terra. Um grupo de 60 homens, que segundo os proprietários são todos ruralistas, chegou no acampamento de madrugada, comunicou aos líderes a intenção de desocupar a área e retirou as cerca de 120 pessoas (45 famílias) que estavam na fazenda. Dois sem-terra ficaram feridos, sem gravidade.
Os ruralistas dizem que estavam desarmados, não encontraram resistência e que os próprios sem-terra colocaram fogo nos barracos, com todos os pertences dentro, para incriminar os fazendeiros. Segundo José Carlos Mascarelo, irmão da proprietária da área, Deybe Mascarelo, além de ruralistas apenas alguns funcionários das fazendas da família participaram da desocupação.
Ele disse que os fazendeiros estavam revoltados com a situação na fazenda, que tem 1.020 hectares e 700 cabeças de gado. ‘‘Os animais estavam sem alimento e a gente não podia mais entrar na área. Aí os ruralistas decidiram nos ajudar a retirar os sem-terra’’, garantiu Mascarelo. Depois da desocupação, mais de 50 fazendeiros ficaram durante todo o dia na entrada da propriedade, mas nenhum admitia que participou da ação.
Os líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) garantiram que a desocupação foi feita por policiais. Um dos coordenadores do acampamento, Giovani Braun, afirma que os homens portavam armas pesadas, evitavam atirar nas pessoas e gritavam para não fazer feridos. ‘‘Eles vieram pelos fundos da fazenda, sabiam muito bem o que estavam fazendo, o que caracteriza ação policial’’, disse.
Braun disse não acreditar que fazendeiros ou mesmo capangas contratados - até mesmo de empresas de segurança - tenham capacidade para fazer uma desocupação planejada, como ocorreu na Fazenda Saudade.
O líder do MST em Querência do Norte, Nildemar da Silva, afirmou que a ação na Fazenda Saudade foi planejada com a participação da Secretaria de Segurança do Paraná. ‘‘Se fossem pistoleiros, teriam atirado para matar’’, disse. ‘‘Pela forma de ação fica claro que existiam policiais no grupo’’.

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