Fazendeiros exigem segurança em Guairaçá
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quarta-feira, 05 de julho de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
Proprietários de fazendas no município de Guairaçá (26 km a noroeste de Paranavaí) querem a ação da Secretaria da Segurança contra assaltantes que vêm agindo na região. A situação está incontrolável e a polícia local não tem como agir contra o que acreditamos ser apenas uma quadrilha, disse ontem o pecuarista Marcos Botarelli Queiroz, proprietário da Fazenda Santa Ana, assaltada na madrugada de segunda-feira. A polícia ainda não tomou o depoimento dos trabalhadores porque estão todos traumatizados, revelou ontem à Folha.
O assalto à fazenda de Queiroz é o quarto a propriedades rurais da região nos últimos dois meses. Apenas em Guairaça, confirma a polícia, foram dois assaltos em menos de 30 dias. Em todos, segundo Queiroz, as características dos assaltantes e o modo de ação foram parecidos.
São sempre muitos homens encapuzados, com armas pesadas e que sabem até os bens existentes no local, revela. Os donos de terras do município, segundo o fazendeiro, estão levando tudo o que podem para a cidade, com receio de perder os poucos bens e como forma de prevenir. A situação está insustentável, alerta.
Ainda na noite de domingo, oito homens encapuzados e com escopetas, carabinas e revólveres renderam as três famílias da Fazenda Santa Ana. As mulheres foram obrigadas a ficar apenas com as roupas íntimas e as crianças na mira de armas. Queiroz contou que os assaltantes colocaram um balde na sala onde estavam as vítimas para elas usarem como banheiro.
O bando ficou entre seis e sete horas na propriedade e levou vários bens e insumos, revela. Apenas um trator com todos os equipamentos levado pelos assaltantes vale R$ 60 mil. A perícia que esteve no local constatou que a marca de pneus do caminhão, usado pelo grupo, coincide com o veículo que tirou outro trator idêntico da Fazenda Videira, também em Guairaçá, no final de maio.
Queiroz disse que procurou a polícia e as entidades ruralistas da região, mas acredita que apenas o governo pode acabar com os assaltos. Já estamos apelando à Secretaria de Segurança para que pelo menos coloque policiais especializados na investigação.
O delegado de Guairaçá, Agenor Aparecido de Carvalho, acha que o apoio de policiais especializados poderia ajudar. Ele alega que a polícia local não tem estrutura nem condições para chegar ao grupo, que acredita ser de profissionais. Os assaltantes deixam poucos vestígios e levam bens difíceis de achar, argumenta. Carvalho acha ainda que o grupo trabalha atendendo encomendas, levando produtos e máquinas com destino certo.


