Fazendeiros e sem-terra fazem acordo
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segunda-feira, 04 de agosto de 1997
Elisa Marilia e Leandro Donatti 
Curitiba
Albari RosaAcertoSeligman, presidente do Incra, cumprimenta o líder do MST no PR, Roberto Baggio: Sem vistorias em terras invadidasO governador Jaime Lerner conseguiu ontem uma trégua entre os integrantes do Movimento Sem-Terra (MST) no Paraná, União Democrática Ruralista (UDR) e a superintendência geral do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Depois de dar um murro na mesa, pedindo para que os fazendeiros e sem-terra cedessem nos seus discursos, Lerner saiu da reunião com um prazo de 15 dias para equacionar o conflito.
O Banestado se comprometeu a ceder de 15 a 20 mil hectares, que hoje estão em seu poder, para assentar cerca de 1.500 famílias que ocupam as áreas de tensão no Noroeste do Estado. O presidente nacional do Incra, Milton Seligman, diz que vai fazer um levantamento das áreas. O presidente do Banco, Manoel Garcia Cid, ofereceu ainda para análise dos técnicos do Incra 32 mil hectares da Banestado Reflorestadora.
Albari RosaO presidente do Banestado, Neco Garcia Cid, beija a mão da superintendente do Incra no Paraná, Maria de OliveiraOs ânimos da reunião de ontem se alteraram. O coordenador estadual do MST, Roberto Baggio, não garantiu que novas invasões ocorram, mas concordou em aguardar as duas semanas para remover os ocupantes. Já o dirigente da UDR no Noroeste, Marcos Prochet, deu novo ultimato de 20 dias para que o governador Jaime Lerner cumpra os mandados de reintegração de posse. Depois disso, faremos o que a lei nos permite, inclusive retirarmos nós mesmos os invasores, ameaçou o fazendeiro.
De acordo com Seligman, que veio de Brasília para a reunião, o governo federal quer aumentar a capacidade operacional do Incra vinculando a possibilidade de os acampamentos se tornarem em assentamentos.
Além disso, acrescentou o presidente do Incra, os governos estaduais, não só o do Paraná, deverão desenvolver projetos nas microrregiões para que elas sejam auto-suficientes e promovam a inserção dos trabalhadores rurais na comunidade onde existam assentamentos ou acampamentos.
Ainda precisamos deixar claro que o Incra não fará vistorias em terras invadidas. É preciso que as áreas retornem à normalidade em primeiro lugar, afirmou. Ao comprar terras, o Incra obedecerá ao preço de mercado em todas as regiões do País, acrescentou. No Paraná, o Incra está comprando terras no noroeste prioritariamente.
Em termos semelhantes ao do protocolo com o Banestado, o Incra firmou, há oito meses, um protocolo de intenções com o Banco do Brasil. Num primeiro estudo, 40 áreas foram analisadas e seis fazendas adquiridas pelo Incra, uma delas no Paraná. O presidente do Incra não informou qual seria, para não gerar expectativas.
O governo federal pretende assentar 280 mil famílias até o final de gestão Fernando Henrique Cardoso. Em governos anteriores, 218 mil famílias foram beneficiadas por programas de reforma agrária. No Paraná, já foram assentadas 310 famílias em 1997, mas a meta é que, até o final do ano, 2.332 famílias sejam assentadas.


