Fazendeiros dão ultimato a Lerner
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sexta-feira, 25 de julho de 1997
Marccio W. Varella 
Maringá
Edson MazzetoLerner conversa com fazendeiros no corredor do Hotel Deville, em MaringáLíderes da União Democrática Ruralista (UDR) e da Sociedade Rural do Noroeste do Paraná deram prazo até quarta-feira ao governador Jaime Lerner para que o Estado retire os sem-terra que invadiram seis fazendas no município de Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí). Ele se encontrou com os ruralistas ontem de manhã, em Maringá.
Estou avisando que se na quarta-feira não houver uma decisão nós vamos tomar uma providência e aquele episódio de Eldorado dos Carajás vai ficar muito pequeno diante do que nós vamos fazer em Querência, ameaçou o presidente da Sociedade Rural do Noroeste do Paraná, Eduardo Baggio.
Na quarta-feira, o governador e o secretário estadual de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, foram citados pela Justiça para que cumpram as sentenças de reintegração de posse das seis áreas invadidas. Os precatórios socilitados pelos advogados da UDR e da Sociedade Rural determinam prazo de três dias úteis para o cumprimento das ações judiciais. O prazo expira na segunda-feira que vem.
Se o governo do Estado não tomar uma posição urgentemente, o confronto será inevitável nesta quarta-feira. O barril de pólvora está grande demais e pode explodir a qualquer momento, disse Baggio. Ele tinha pedido na quinta-feira à noite ao chefe do Gabinete Civil, Rafael Greca, uma reunião urgente com o governador. Antes de ir a Ivaiporã, onde inaugurou programa do governo voltado à cotonicultura, Jaime Lerner e Greca se encontraram às pressas com 70 líderes ruralistas, num dos corredores do Hotel Deville, no Centro de Maringá. A conversa foi tensa e durou 20 minutos.
De pé, na frente da porta de um dos auditórios do hotel, Lerner pediu calma aos fazendeiros. O processo já está fora do MST. É altamente politizado. Mas o governo do Estado não vai servir de bucha de canhão. Nós temos condições de colocar a PM em ação, mas quero uma ação integrada com o governo federal e os outros Estados que têm o mesmo problema. O presidente da República tem que estar neste processo. Eu, o presidente da Assembléia Legislativa e o presidente do Tribunal de Justiça pedimos uma audiência ao presidente Fernando Henrique para tratar deste assunto, disse o governador.
Baggio disse que a vinda de Lerner a Maringá de nada adiantou. Ele só repetiu o que o secretário de Segurança já havia dito para nós há 15 dias. Nós viemos aqui para implorar uma solução ao governador. A situação em Querência é a pior possível. Eles tomaram conta da cidade e desafiam todo mundo, até a polícia.
Greca lembrou aos fazendeiros que há duas semanas o secretário de Segurança Pública esteve em Querência. Ele teve uma péssima impressão do que viu lá. Os sem-terra foram ao Palácio Iguaçu mas não quiseram diálogo. Outro problema é a mídia, que fica sempre do lado dos sem-terra.


